Uma nova aliança entre entidades de peso visa transformar o planejamento financeiro de sete grandes capitais brasileiras, integrando metas ambientais ao orçamento público até 2027.
A gestão de recursos públicos nas grandes cidades brasileiras passará por uma mudança estratégica focada na sustentabilidade. Uma parceria inédita entre o Instituto Clima e Sociedade (iCS), por meio do seu HUB de Economia e Clima, e o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento (Cicef), aliou-se à rede global C40 Cidades para implementar um sistema rigoroso de monitoramento de gastos com foco climático.
O projeto, que se estenderá até março de 2027, abrange as capitais Salvador, Fortaleza, Recife, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Campinas. A proposta central é garantir que os Planos de Ação Climática deixem de ser documentos isolados e passem a ditar o fluxo de investimentos municipais.
Orçamento como motor da transição verde
A iniciativa reconhece que a eficácia das políticas ambientais depende diretamente da execução financeira. Segundo Sarah Irffi, coordenadora do HUB de Economia e Clima:
“Tirar os compromissos climáticos do papel passa, necessariamente, pelo orçamento. As metas climáticas precisam estar conectadas às decisões sobre onde e como os recursos públicos serão aplicados.”
Para viabilizar essa meta, o suporte técnico será customizado de acordo com o nível de maturidade de cada prefeitura. Em cidades como Salvador, Fortaleza, Recife e Curitiba, o foco inicial será o mapeamento detalhado dos dados orçamentários de 2026. Essas administrações receberão painéis analíticos exclusivos e treinamentos intensivos para que a dimensão climática seja integrada com sucesso à Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2028.
Aprimoramento e padronização de gastos
Já nos municípios de São Paulo, Rio de Janeiro e Campinas, onde mecanismos de avaliação climática já operam, o trabalho terá uma natureza de refinamento. A meta é otimizar as metodologias vigentes, identificando falhas e compartilhando boas práticas entre as metrópoles participantes.
A classificação dos gastos seguirá critérios específicos, categorizando os investimentos em grupos que variam entre favoráveis, neutros ou desfavoráveis ao meio ambiente. Além do rigor técnico, o projeto enfatiza a justiça climática e a equidade, assegurando que o desenvolvimento urbano seja, além de resiliente, inclusivo. Ao término do ciclo, um relatório completo servirá como guia para que outras cidades brasileiras possam institucionalizar o chamado “orçamento verde” em suas gestões futuras.
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