O Operador Nacional do Sistema Elétrico alerta que, mesmo após o recorde de contratação no último leilão de reserva, o país segue operando fora dos patamares ideais de segurança energética até 2030.
Apesar de ter concluído o maior certame de potência da história recente, o Brasil ainda enfrenta desafios consideráveis para garantir a estabilidade do suprimento elétrico. Segundo o ONS, os quase 19 mil megawatts contratados no Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) não foram suficientes para alinhar o SIN (Sistema Interligado Nacional) às exigências de segurança estipuladas pelo CNPE para os próximos anos.
Em audiência na Câmara dos Deputados, o diretor de planejamento do órgão, Alexandre Zucarato, detalhou que a demanda por energia segue em trajetória de alta, com crescimento anual estimado entre 3 GW e 3,5 GW. Esse avanço rápido no consumo pressiona uma infraestrutura que, desde 2025, já opera operando próxima ao seu limite técnico.
O impacto no fornecimento
O diagnóstico apresentado pelo ONS revela que o risco de interrupções no fornecimento, caso o leilão não tivesse ocorrido, seria crítico, escalando para a totalidade do sistema até 2030. Com a injeção da nova potência, os níveis de risco foram atenuados — caindo de 90% para 30% em 2029, por exemplo —, porém ainda permanecem significativamente acima do teto de 5% aceitável pela regulação vigente.
Esse limite de 5% é uma referência fundamental relacionada ao PCMC (Plano de Corte Manual de Carga), um protocolo de segurança adotado para preservar a frequência da rede e evitar colapsos generalizados. Quando a geração não acompanha a carga, o sistema precisa acionar medidas de contenção para evitar danos estruturais.
“O volume contratado está aquém da necessidade do sistema, em função do crescimento de carga, mais ou menos da ordem de 3, 3,5 gigawatts por ano. Não há dúvidas de que o leilão foi grande, foi o maior que já fizemos, mas a contratação é perfeitamente explicada pela necessidade de potência do SIN”, afirmou Zucarato.
Projeções e próximos passos
As informações compartilhadas pelos técnicos farão parte do Plano da Operação Energética (PEN) de 2026. Os dados confirmam que, embora o LRCap represente um esforço robusto de expansão, a velocidade de crescimento da carga exige um planejamento contínuo e mais agressivo de novas fontes de potência.
O cenário aponta para uma necessidade constante de reforçar a capacidade do parque gerador brasileiro. A atenção do setor agora se volta para as próximas medidas do governo, que busca viabilizar soluções complementares — como o aguardado leilão de sistemas de armazenamento por baterias (BESS) — para mitigar o déficit projetado e garantir que o país atravesse o período de 2026 a 2031 sem comprometer a confiabilidade do serviço prestado aos consumidores.























