A severa temporada de queimadas no Amazonas, potencializada pelo fenômeno El Niño, mantém Manaus sob uma densa camada de poluição, forçando autoridades a intensificarem o combate ao fogo no bioma.
A capital do Amazonas enfrenta uma crise ambiental sem precedentes, com a qualidade do ar atingindo níveis alarmantes devido à propagação de fumaça proveniente de queimadas em diversas áreas do estado. O cenário crítico forçou a suspensão das aulas na rede municipal de ensino e impôs orientações rígidas de proteção respiratória aos moradores de Manaus, onde a visibilidade tem sido constantemente reduzida.
O governo federal, em conjunto com órgãos ambientais, reconheceu a situação de emergência em 36 municípios amazonenses. A gravidade do quadro é atribuída não apenas à ação humana, mas também ao fortalecimento do El Niño, que intensificou o período de estiagem na Região Norte, tornando a vegetação extremamente suscetível ao fogo.
Força-tarefa no coração da floresta
Para conter o avanço das chamas, uma operação de grande escala foi montada, envolvendo 290 brigadistas e uma frota de 11 aeronaves. Entre os equipamentos utilizados, destaca-se o cargueiro KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB), capaz de despejar 12 mil litros de água por sobrevoo, além das aeronaves Air Tractor do Ibama, que atuam em áreas de difícil acesso.
Dados do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), revelam um aumento de 271% nos focos de calor nos primeiros dez dias de outubro em relação ao mesmo período de 2025. A complexidade do combate reside no fato de que muitas queimadas ocorrem no interior da floresta preservada.
O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, afirmou:
Mais grave do que eu imaginava porque identificamos muitos focos de incêndio no meio da floresta preservada. Não se trata apenas daquele fogo que foi colocado na pastagem e adentrou a mata.
Impactos climáticos e saúde pública
A seca severa reduz a umidade da floresta, transformando a matéria orgânica em combustível altamente inflamável e dificultando a dispersão dos poluentes. Segundo a plataforma IQAir, a concentração de partículas finas PM2.5 em Manaus chegou a níveis muito superiores aos recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), colocando a capital no topo das cidades com o ar mais poluído do país.
A Polícia Civil do Amazonas já deu início a investigações sobre a origem criminosa de diversos focos de incêndio, registrando dezenas de boletins de ocorrência ligados a crimes ambientais somente no mês de setembro. Enquanto isso, o governo mantém o alerta ativo, recomendando o uso de máscaras e o isolamento de ambientes para proteger a população.
A permanência das equipes de brigadistas no estado está garantida até a contenção definitiva dos focos críticos. A expectativa das autoridades é que, com a força-tarefa em campo e o monitoramento aéreo constante, o controle sobre as chamas seja restabelecido, mitigando os riscos respiratórios para as comunidades isoladas e a biodiversidade da região.
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