O Peru consolida um marco na transição energética ao integrar a nova usina solar Wayra à infraestrutura eólica já existente em Marcona, criando um hub de 403,52 MW no deserto.
A região de Ica, no sul do Peru, tornou-se o epicentro de uma revolução tecnológica no setor de energias renováveis. Em setembro de 2026, a usina Wayra Solar alcançou sua capacidade total de operação, conectando mais de 136 mil módulos fotovoltaicos ao Sistema Elétrico Interconectado Nacional (SEIN).
Este avanço não apenas amplia a matriz limpa do país, mas estabelece um novo padrão de complexos híbridos, unindo a potência do sol às forças dos ventos que já movimentam turbinas locais há anos.
O projeto é operado pela Orygen e a construção contou com a execução da gigante chinesa PowerChina. Com a nova infraestrutura, o distrito de Marcona passa a abrigar uma potência conjunta de 403,52 MW, aproveitando a radiação privilegiada do deserto e a alta disponibilidade eólica característica da costa peruana.
A integração de fontes distintas no mesmo sítio geográfico otimiza o uso de linhas de transmissão e subestações, garantindo maior eficiência operacional.
Tecnologia de ponta nas areias de Nasca
A Wayra Solar destaca-se pela sofisticação de sua engenharia. Para maximizar a captura da luz solar, a planta utiliza mais de 2,3 mil seguidores solares de eixo único, permitindo que os painéis ajustem sua inclinação conforme o deslocamento do astro ao longo do dia.
Adicionalmente, os módulos adotam a tecnologia bifacial, que capta radiação em ambos os lados, aumentando significativamente a produtividade energética da usina.
Um porta-voz do setor energético destacou:
A combinação de tecnologias solar e eólica em um único local permite um aproveitamento muito mais inteligente da infraestrutura elétrica, garantindo que o sistema nacional receba energia de fontes complementares de forma otimizada e sustentável.
Sinergia entre sol e vento
O complexo é composto pela união estratégica de três unidades: a eólica Wayra I (132,3 MW), a Wayra Extensión (177 MW) e a nova Wayra Solar (94,22 MW). Ao harmonizar as duas matrizes, a Orygen consegue mitigar a intermitência natural de cada recurso, fornecendo um fluxo de eletricidade mais constante para a rede elétrica peruana.
A estimativa de geração anual da planta solar é de aproximadamente 250 a 256 GWh, volume suficiente para abastecer cerca de 230 mil residências. Além da relevância técnica, o empreendimento movimentou cerca de US$ 72 milhões em investimentos e gerou centenas de empregos diretos, reforçando o compromisso das empresas com o desenvolvimento socioeconômico da província de Nasca.
O próximo desafio para o projeto é a consolidação plena de sua operação comercial. Com a infraestrutura já energizada e testada, o complexo de Marcona se posiciona como um modelo replicável para a América do Sul.
O sucesso dessa hibridização sinaliza que o futuro das energias limpas no continente reside na inteligência da integração, onde a tecnologia de ponta transforma condições geográficas adversas, como desertos áridos, em pilares de desenvolvimento sustentável.
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