A redução na oferta hídrica na América Latina forçou uma maior dependência de combustíveis fósseis em maio, evidenciando a fragilidade da matriz energética frente às variações climáticas regionais.
A Organização Latino-Americana e Caribenha de Energia (Olade) revelou em seu balanço mais recente que a geração de eletricidade na região alcançou 176 TWh em maio de 2026. O número sinaliza um crescimento de 7,32% frente ao mês anterior e uma alta de 4,1% na comparação anual, mas o dado esconde um desafio estrutural crescente para o setor.
Embora a fonte hidrelétrica siga como a espinha dorsal do sistema, respondendo por 43,4% da oferta, houve um recuo expressivo de 10 TWh na produção devido à restrição na disponibilidade de água nos reservatórios. Esse déficit forçou as economias locais a buscarem alternativas rápidas para suprir a demanda, elevando a queima de combustíveis fósseis.
O papel do gás natural e das renováveis
Para equilibrar a conta energética, a geração via gás natural cresceu 6 TWh, tornando-se o segundo pilar mais importante da matriz, com 24,4% de participação. Paralelamente, o setor de energia eólica registrou um avanço de 4,4 TWh, enquanto carvão e petróleo também tiveram suas fatias de uso ampliadas no período.
Os resultados refletem uma matriz elétrica com elevada participação renovável, evidenciando, simultaneamente, a necessidade de fontes complementares para responder às variações das condições hidrológicas e da demanda.
Desempenho regional e o papel do Brasil
Apesar da turbulência hídrica, 64% de toda a eletricidade produzida no mês ainda veio de fontes renováveis. O índice de renovabilidade na América Latina oscilou de forma estável entre 63% e 72% nos últimos doze meses, demonstrando que a transição energética regional permanece resiliente mesmo sob estresse climático.
O Brasil se destacou como um dos expoentes nesse cenário, alcançando a expressiva marca de 89% de participação renovável em sua matriz. O dado coloca o país entre os nove integrantes da Olade que superaram a média regional, servindo como modelo de diversificação para seus pares.
O cenário aponta para um futuro onde a segurança energética dependerá, cada vez mais, da capacidade de integrar novas fontes renováveis intermitentes com tecnologias de armazenamento e gestão eficiente de carga. O equilíbrio entre a redução de 10 TWh das hidrelétricas e a rápida resposta do parque térmico e eólico será o termômetro das próximas políticas energéticas na região.






















