A CNT defende a criação de uma coordenação nacional para transformar as hidrovias em prioridade de Estado, visando maior eficiência, sustentabilidade e competitividade para a logística brasileira.
O Brasil enfrenta o desafio de integrar sua vasta rede hidrográfica ao sistema produtivo nacional. Um estudo recente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), realizado em parceria com a consultoria Pezco Economics e pastas ministeriais, aponta a necessidade urgente de instituir uma governança centralizada para o setor. O diagnóstico reforça que, apesar do enorme potencial geográfico, a navegação interior ainda opera abaixo de sua capacidade, carecendo de um planejamento de longo prazo que ultrapasse os ciclos de gestão governamental.
O foco central do documento é reposicionar a logística hidroviária como uma solução estratégica para o desenvolvimento econômico do país. Ao tratar o setor como uma verdadeira política de Estado, o plano propõe uma agenda técnica organizada em metas de curto, médio e longo prazo, visando superar gargalos históricos como a insegurança regulatória e a falta de investimento em infraestrutura básica.
A visão estratégica para o modal hidroviário
Durante o evento de apresentação em Brasília, a CNT enfatizou que o avanço da navegação interior depende de uma ação coordenada entre os setores público e privado. A proposta inclui a criação de um plano setorial robusto, a implementação de um programa permanente de eclusas e o fortalecimento das operações de dragagem, essenciais para garantir a navegabilidade contínua das vias.
“A logística é um projeto de Estado, não um projeto de governo. Mudar a matriz de transporte exige continuidade, planejamento e união entre todos os envolvidos. O Brasil tem um enorme potencial para desenvolver a navegação interior, e qualquer iniciativa que contribua para esse objetivo precisa ser construída de forma conjunta”, destacou Valter Souza, diretor de Relações Institucionais da CNT.
Superando gargalos para uma logística sustentável
O estudo, apresentado pelo economista Frederico Turolla, não se limitou a um diagnóstico de problemas, mas desenhou um roteiro de transformação. Entre os pontos de atenção estão a qualificação profissional, a atração de novos mecanismos de financiamento e a criação de marcos regulatórios que tragam segurança jurídica para futuras concessões. O objetivo é integrar as hidrovias aos demais modais, promovendo uma cadeia de suprimentos mais eficiente e de baixo impacto ambiental.
“O estudo não se limita a identificar problemas. Ele apresenta uma agenda estruturada de transformação para que as hidrovias passem a ser consideradas, de forma efetiva, como alternativa modal no planejamento logístico brasileiro”, afirmou Frederico Turolla.
A conclusão do relatório aponta para um futuro onde o transporte de cargas e passageiros por rios seja o diferencial para a competitividade da economia brasileira. A transição para esse cenário exige, acima de tudo, a superação da fragmentação da governança atual. Com planejamento adequado e investimentos em terminais e atracadouros, o Brasil tem a oportunidade de tornar sua malha aquaviária um dos pilares mais sustentáveis e econômicos para o escoamento da produção nacional.























