A parceria estratégica entre a Petrobras e a Lightsource BP entra em sua reta final, consolidando o avanço da petroleira brasileira no setor de energias renováveis e biocombustíveis.
A Petrobras confirmou que está prestes a concluir a formalização da joint venture com a Lightsource BP, um passo fundamental para fortalecer sua atuação em fontes de energia limpa. O acordo, que recebeu o sinal verde do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), deve ser finalizado ainda no mês de junho.
A diretora de Logística, Comercialização e Mercados da estatal, Angélica Laureano, responsável pela estruturação da parceria, destacou o cronograma da operação. Com o fechamento do negócio, a petroleira assumirá uma participação de 49,9% nas operações da Lightsource BP no Brasil, integrando ao seu portfólio ativos estratégicos.
Entre os principais destaques da transição está a usina fotovoltaica de Milagres, no Ceará, com 212 MWp de capacidade e em pleno funcionamento. Além disso, o pipeline da companhia engloba projetos em estágio avançado que somam até 1,5 GW, além de outras iniciativas de desenvolvimento em energia solar.
Eletrificação e o papel das refinarias
A estratégia de transição energética vai além da geração renovável. A companhia avalia a participação no leilão de reserva de capacidade (LRCap) com foco em soluções de armazenamento via baterias. O plano visa, essencialmente, otimizar a operação das unidades de refino.
O diretor de Transição Energética e Sustentabilidade, William França, revelou que a Petrobras estuda eletrificar cerca de 2,2 GW em cinco de suas refinarias. A mudança não apenas reduzirá o impacto ambiental, mas também permitirá que o gás natural consumido atualmente nos processos seja direcionado ao mercado.
“É importante avançar no etanol pela posição estratégica do etanol e também pela sinergia muito forte que ele tem na nossa área completa de downstream”, afirmou William França.
Etanol como pilar de descarbonização
O etanol figura como um elemento central na estratégia de diversificação. A empresa busca parcerias com nomes de peso do agronegócio para fortalecer sua presença no setor. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, ressaltou que a vasta infraestrutura logística da estatal oferece uma vantagem competitiva inegável para o transporte e distribuição de biocombustíveis, como biodiesel e combustíveis coprocessados.
A integração do etanol com o sistema de refino da empresa promete resultados práticos, especialmente na produção de combustíveis sustentáveis. O uso de óleo técnico de milho na Biorefinaria Riograndense para a fabricação de SAF (querosene sustentável de aviação) e HVO (diesel verde) exemplifica a busca por eficiência. A expectativa é que a Refinaria de Paulínia (Replan) alcance um consumo de 1,2 bilhão de litros de etanol em quatro anos, consolidando a rota alcohol to jet dentro da companhia.




















