A Petrobras projeta importar 125 mil barris por dia de diesel em novembro para reforçar estoques nacionais, após paradas estratégicas em refinarias e um consumo interno em ascensão constante.
A Petrobras intensificou sua estratégia de suprimento para o mercado interno, planejando a importação de 125 mil barris por dia (bpd) de diesel durante o mês de novembro. A movimentação é vista como um movimento de recomposição de estoques, necessário para mitigar os impactos de manutenções programadas em unidades de refino estratégicas, como a Rnest, em Pernambuco, e a Repar, no Paraná.
Embora o volume seja ligeiramente inferior aos 650 milhões de litros adquiridos em outubro, o patamar permanece acima da média registrada nos primeiros nove meses deste ano, que foi de 103 mil bpd. A estatal busca assegurar a oferta em um cenário de incertezas geopolíticas, que elevam os custos do petróleo globalmente e afetam diretamente a dinâmica dos derivados importados pelo Brasil.
O papel do setor privado e a defasagem de preços
A atuação da Petrobras no mercado externo tem sido preponderante, especialmente diante da retração de importadores independentes. De acordo com a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a petroleira foi responsável por cerca de 51% das importações do insumo em outubro. A cautela das empresas privadas deve-se, majoritariamente, aos altos custos de aquisição e às dúvidas sobre a sustentabilidade dos programas governamentais de subvenção.
Angélica Laureano, diretora de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, afirmou:
“Houve paradas em unidades como Rnest (Pernambuco) e Repar (Paraná). A importação para novembro é uma recomposição de estoques”.
A disparidade entre os preços praticados pela estatal e as cotações internacionais permanece um ponto crítico. Segundo a Abicom, o valor do combustível nos polos da Petrobras apresenta uma defasagem expressiva em relação ao mercado externo, o que, somado à dependência da renovação mensal de subsídios pelo governo federal, desencoraja importações agressivas por parte do setor privado.
Perspectivas para o encerramento do ano
Apesar do esforço concentrado em novembro, a perspectiva da companhia é de uma normalização para o último mês de 2024. Com a redução esperada na demanda interna, atrelada ao fim do período de plantio da safra de verão, a Petrobras projeta que não precisará recorrer ao mercado internacional para suprir o consumo doméstico em dezembro.
A estratégia de longo prazo da estatal continua focada na otimização do parque de refino, que operou com taxa de utilização próxima a 99% no terceiro trimestre. A empresa reforça que a compra de derivados no exterior é uma medida complementar, ajustada conforme as necessidades operacionais e a busca por eficiência econômica, garantindo que não haja riscos de desabastecimento em um momento de alta sensibilidade do mercado.









