A Petrobras deu um passo decisivo em sua jornada de descarbonização ao ativar a UFV Boaventura, usina solar de 13,5 MW que impulsionará o refino sustentável no Rio de Janeiro.
A Petrobras acaba de colocar em funcionamento a Usina Fotovoltaica Boaventura, localizada em Itaboraí. Com potência de 13,5 MW, o projeto recebeu o aval da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para iniciar sua operação comercial, reforçando o compromisso da estatal com a transição energética em um de seus polos industriais mais estratégicos.
O novo ativo abastecerá diretamente o Complexo de Energias Boaventura, que substitui o antigo Comperj, integrando fontes renováveis às operações de refino. A iniciativa vai além da simples geração de eletricidade; ela é um componente central para a eletrificação dos processos fabris e serve de base para os futuros projetos da companhia voltados ao hidrogênio de baixa emissão.
Eficiência energética via autoprodução
A planta solar foi desenvolvida sob o modelo de autoprodução de energia. Essa estrutura permite que a Petrobras utilize a eletricidade gerada no local para suprir suas demandas internas, evitando a comercialização externa e aproveitando a infraestrutura de rede já disponível no complexo industrial.
A estratégia gera um impacto positivo duplo: além da redução na pegada de carbono, há um ganho claro de eficiência econômica, uma vez que a proximidade física entre a fonte geradora e a unidade consumidora minimiza perdas elétricas e otimiza os custos operacionais em um mercado cada vez mais desafiador.
Rumo ao hidrogênio verde
A energia gerada pela UFV Boaventura será aplicada diretamente na fabricação de combustíveis de baixo teor de carbono e lubrificantes especiais. No entanto, o horizonte da empresa é mais ambicioso, visando substituir o chamado “hidrogênio cinza” — derivado do gás natural — por uma alternativa sustentável produzida via eletrólise, alimentada pela fonte solar.
“A meta é utilizar fontes renováveis para viabilizar a produção de hidrogênio verde, substituindo o hidrogênio cinza, hoje derivado do gás natural, nas operações industriais da companhia,” destaca a estratégia da estatal para a descarbonização.
Expansão do portfólio renovável
Com a inauguração em Itaboraí, a capacidade total de geração renovável própria da Petrobras atinge a marca de 59,4 MW. Esse portfólio, composto majoritariamente por usinas solares instaladas junto a unidades fabris em diversas regiões do país, consolida a transição do Complexo Boaventura como um hub de referência na integração entre fontes fósseis e limpas.
A tendência sinaliza que, para a Petrobras, a geração renovável deixou de ser um item secundário para se tornar um pilar estratégico de competitividade. Nos próximos anos, espera-se que a empresa continue expandindo esse ecossistema, preparando seus ativos para um cenário global que exige operações industriais cada vez mais alinhadas aos critérios de sustentabilidade.























