A Petrobras alcança um marco histórico ao comercializar seu primeiro lote de combustível sustentável de aviação (SAF), produzido a partir de óleo de soja na Refinaria Duque de Caxias.
A transição energética no setor aéreo brasileiro acaba de ganhar um capítulo decisivo. A Petrobras oficializou a venda de 3,8 milhões de litros de combustível para a Vibra, dos quais 38 mil litros são classificados como SAF (Sustainable Aviation Fuel). O feito representa um passo prático para a descarbonização da aviação no país, utilizando tecnologia de coprocessamento em unidades de refino já operacionais.
O insumo renovável utilizado no processo foi o óleo de soja certificado pelo Corsia, programa internacional que monitora e limita as emissões de gases de efeito estufa no transporte aéreo. Embora o volume renovável corresponda a 1% da mistura total — mantendo o restante como querosene fóssil tradicional —, a operação segue estritamente as diretrizes de sustentabilidade exigidas pelo mercado global.
Tecnologia e conformidade com o futuro
A produção foi realizada na Reduc, no Rio de Janeiro, evidenciando como a infraestrutura de refino existente pode ser adaptada para integrar matérias-primas de origem renovável. A certificação emitida pela estatal garante que as companhias aéreas que utilizarem esse lote possam abater a parcela de 1% de suas metas de emissão, conforme a regulamentação vigente.
A iniciativa está em total sintonia com as diretrizes da Lei do Combustível do Futuro, que impõe metas graduais de descarbonização para o setor aéreo brasileiro a partir de 2027.
A estratégia da companhia antecipa as obrigações previstas na legislação nacional, que exige uma redução inicial de 1% nas emissões de voos domésticos dentro de três anos. A trajetória estipulada pelo governo federal é ambiciosa, prevendo que essa fatia de combustível sustentável alcance 10% até 2037.
O próximo estágio do mercado de SAF
Apesar do avanço técnico, o setor ainda aguarda passos complementares para escalar essa produção. Tanto as companhias aéreas quanto os produtores de energia limpa buscam maior clareza na regulamentação da lei, bem como a formalização de contratos de longo prazo que tragam segurança jurídica e financeira para investimentos mais robustos.
O sucesso desse primeiro lote serve como um “piloto” para a indústria. À medida que o marco regulatório for consolidado, espera-se que o volume de SAF inserido na matriz energética brasileira cresça, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e posicionando o Brasil como um protagonista global na oferta de soluções sustentáveis para o transporte aéreo.






















