Fundo de R$ 500 milhões, com a união de Petrobras, BNDES e Finep, impulsiona startups e PMEs em soluções inovadoras para a transição energética e a sustentabilidade no Brasil.
O cenário da energia limpa no Brasil recebe um impulso significativo com o lançamento de um novo Fundo de Investimento em Participações. Fruto da colaboração entre a gigante Petrobras, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), este mecanismo financeiro tem como objetivo catalisar o desenvolvimento de tecnologias e soluções para a transição energética do país. O anúncio, que marca um passo decisivo para o futuro do setor de energia, foi feito durante o evento Energy Summit, no Rio de Janeiro.
Com um montante total que pode alcançar R$ 500 milhões, o fundo está focado em apoiar startups e pequenas e médias empresas (PMEs) que apresentem projetos inovadores em áreas cruciais. A iniciativa visa não apenas fornecer capital, mas também acelerar a maturidade de soluções que são fundamentais para uma economia sustentável e a descarbonização da matriz energética brasileira.
Foco em Tecnologias Disruptivas
As propostas buscadas pelo fundo abrangem um leque diversificado de segmentos. Estão incluídos projetos em fontes renováveis, como energia solar e eólica, além de armazenamento de energia em baterias, um campo ainda em desenvolvimento no país. A busca por inovações se estende à captura de carbono, ao desenvolvimento de combustíveis sustentáveis e à descarbonização de operações industriais. A abertura da chamada reforça o compromisso das instituições em endereçar desafios complexos da transição energética.
Estrutura de Investimento e Gestão
O investimento inicial do fundo é substancial, com a Petrobras contribuindo com até R$ 250 milhões, o BNDES com R$ 125 milhões e a Finep com R$ 60 milhões. A gestão do fundo está a cargo da Valetec, especializada em capital de risco. Cada projeto selecionado poderá receber um aporte máximo de R$ 10 milhões, um valor que visa proporcionar a escala necessária para o avanço das soluções. Existe, ainda, a flexibilidade para que novos investidores se juntem ao fundo, ampliando ainda mais sua capacidade de apoio.
Visão Estratégica da Petrobras
Rodrigo Pimentel, gerente executivo de energia renovável da Petrobras, enfatizou a importância do fundo para tecnologias emergentes. Segundo ele, a ideia é apoiar o desenvolvimento de soluções que estão em diferentes estágios de maturidade.
“O segmento de bateria tem nível de maturidade muito diferente do etanol, por exemplo.”
Pimentel complementou que a empresa reconhece a necessidade de instrumentos mais ágeis para atender à urgência da transição energética, dada a sua própria escala de operações.
“A gente entende que a Petrobras sozinha, com os instrumentos que ela tem hoje, não é suficiente para atender à urgência que a transição energética e esses segmentos mais disruptivos demandam.”
Lilian Barreto, gerente executiva do Centro de Pesquisas da petroleira, destacou que o fundo também abordará o papel dos minerais críticos, essenciais para diversas soluções de descarbonização.
“Eu não falo em bateria sem falar de minerais críticos, não falo de fertilizante sem falar de minerais críticos“
Ela ressaltou que esta é a primeira vez que a Petrobras se envolve diretamente com um mecanismo desse tipo, marcando uma evolução na estratégia da companhia. A executiva informou que 20% do orçamento anual de P&D do Centro de Pesquisas, cerca de US$ 800 milhões (equivalente a R$ 4,1 bilhões), já é destinado a projetos de baixo carbono, com expectativa de atingir 40% até 2030.
Um Futuro Descarbonizado
Apesar do robusto investimento em energia limpa, a Petrobras mantém seus planos de exploração e perfuração, mas com uma diretriz clara: a descarbonização. Lilian Barreto reafirmou o posicionamento da empresa, indicando uma coexistência entre fontes.
“Estamos seguros de que não vai ser o [combustível] fóssil contra o renovável, vai ser o fóssil sendo complementado pelo renovável.”
O objetivo, segundo ela, é produzir o que chamou de “última molécula de petróleo do mercado”, garantindo que essa produção seja inteiramente descarbonizada em suas fases de extração e produção, mesmo que a queima final ainda gere emissões. Este enfoque dual reflete a complexidade da transição energética, onde a inovação é fundamental para minimizar o impacto ambiental de todas as etapas do processo.
Este fundo representa um marco importante para a inovação e a sustentabilidade no setor de energia brasileiro. Ao apoiar startups e PMEs com soluções para a transição energética, Petrobras, BNDES e Finep não só impulsionam o desenvolvimento tecnológico nacional, mas também consolidam o papel do Brasil como um ator relevante na construção de um futuro com energia limpa e mais resiliente globalmente.























