Pequim sinaliza parceria para Brasil em terras raras, desafiando hegemonia dos EUA

Pequim sinaliza parceria para Brasil em terras raras, desafiando hegemonia dos EUA
China sinaliza parceria em terras raras com Brasil em meio à ofensiva de investimentos dos Estados Unidos.
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O Brasil desponta como peça-chave na disputa global por terras raras, com a China sinalizando interesse em parcerias tecnológicas enquanto os Estados Unidos reforçam sua ofensiva estratégica.

A busca pela soberania em minerais críticos colocou o Brasil no centro de uma disputa geopolítica entre as duas maiores potências mundiais. Em um momento de crescente tensão, a China demonstrou abertura para cooperar com o país no desenvolvimento da cadeia de valor de terras raras, incluindo a transferência de tecnologias de separação — um dos elos mais sensíveis e estratégicos do setor.

Segundo Pablo Cesário, presidente do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração), o diálogo com representantes chineses aponta para uma disposição clara de colaboração. Embora o cenário internacional seja marcado por restrições comerciais entre Pequim e Washington, o Brasil parece estar em uma posição privilegiada para atrair capital e conhecimento de ambos os lados.

“As conversas que tive com a embaixada e agentes chineses são de abertura a parcerias. Eles têm algumas restrições aos Estados Unidos, mas não me parece haver qualquer resistência à cooperação com o Brasil. Ao contrário, parecem bastante abertos a trabalhar juntos”, destacou Cesário durante coletiva nesta terça-feira (28).

O gargalo tecnológico e a vantagem chinesa

O processamento mineral é o principal entrave para que o Brasil converta seu vasto potencial geológico em um motor de industrialização avançada. Após a extração, o refino dos elementos é essencial para a fabricação de componentes de alta tecnologia, como ímãs permanentes, turbinas eólicas e sistemas de defesa. Atualmente, a China domina cerca de 94% da produção mundial de ímãs sinterizados, detendo o controle das etapas de maior valor agregado da cadeia.

A sinalização chinesa, embora ainda informal, contrasta com a postura de Washington. O governo dos Estados Unidos tem intensificado esforços para atrelar os projetos brasileiros a uma cadeia de suprimentos “segura” e alinhada aos interesses ocidentais, buscando mitigar a dependência excessiva das tecnologias refinadas em solo chinês.

A estratégia brasileira entre dois polos

Atualmente, o setor no Brasil possui um perfil predominantemente ocidental, com empresas como Serra Verde, Viridis Mining & Minerals e Aclara Resources mantendo fortes vínculos com capitais da Austrália, Canadá e Estados Unidos. O caso da Serra Verde, em Goiás, é emblemático: a companhia celebrou uma parceria com a americana USA Rare Earth, que conta com aporte massivo de recursos públicos do governo norte-americano, visando integrar a produção brasileira aos polos industriais dos EUA.

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Apesar dessa configuração inicial, o governo brasileiro busca uma postura pragmática. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em recente diálogo com o presidente Xi Jinping, reforçou o interesse em cooperação tecnológica em áreas como inteligência artificial e processamento de minerais críticos. A estratégia de Brasília é clara: evitar o papel de mero exportador de concentrados e exigir a instalação de unidades de refino em território nacional.

Para o setor mineral, a competitividade brasileira dependerá da capacidade de equilibrar esses interesses globais. Como resumiu Pablo Cesário:

“Não vejo limites na cooperação com a China, os Estados Unidos ou qualquer investidor. Nem para tecnologia de separação de terras raras”.

A médio prazo, a disputa internacional pode servir como uma alavanca para que o Brasil garanta os investimentos necessários para finalmente industrializar seus recursos minerais, fortalecendo sua posição na transição energética global.

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