A OTCA anunciou a reativação da sua Comissão de Infraestrutura, estabelecendo novas diretrizes para projetos sustentáveis, energia limpa e conectividade que priorizam a conservação da floresta amazônica.
A Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) oficializou a retomada da sua Comissão de Infraestrutura, marcando uma mudança significativa na forma como os países da região planejam o desenvolvimento territorial. O objetivo central é criar um fórum permanente de governança técnica que coloque a resiliência climática e a proteção da biodiversidade no centro de qualquer decisão de investimento.
A iniciativa ganha força em um momento de pressão global por transição energética e investimentos verdes. Ao superar modelos arcaicos baseados estritamente em grandes obras rodoviárias de alto impacto, o bloco busca estabelecer critérios que alinhem o progresso econômico à preservação dos ecossistemas amazônicos.
Uma nova lógica para o desenvolvimento regional
Durante o encontro que formalizou a reativação da comissão, especialistas defenderam que a infraestrutura precisa deixar de ser um vetor de desmatamento para se tornar uma aliada das comunidades. A proposta é investir em soluções descentralizadas e inteligentes que atendam às necessidades locais com menor pegada de carbono.
Entre as prioridades estão a substituição da geração térmica a diesel por fontes de energia renovável, como sistemas solares e híbridos, e o fortalecimento do transporte hidroviário eficiente. Além disso, a pauta inclui a universalização de serviços básicos e conectividade digital adaptada.
“Durante séculos construímos infraestrutura para aproveitar a natureza. Hoje devemos construir infraestrutura para conviver com ela.”
Esta reflexão, feita pelo secretário-geral da OTCA, Martín Von Hildebrand, resume a virada de paradigma institucional que o grupo pretende liderar.
O papel da ciência e das populações tradicionais
A nova estratégia de planejamento exige uma análise rigorosa de riscos climáticos desde a concepção técnica dos projetos. A ideia é atrair capitais internacionais garantindo que a engenharia respeite as diretrizes socioambientais vigentes.
Para a líder de Políticas Ambientais da WWF na América Latina, María Inés Rivadeneira, a infraestrutura deve servir às pessoas e ao ambiente:
“A infraestrutura não pode continuar sendo vista unicamente como uma rede de estradas ou grandes obras. Deve se converter em uma ferramenta para fortalecer o bem-estar das comunidades, proteger os ecossistemas e aumentar a resiliência da Amazônia diante das mudanças climáticas.”
Outro pilar fundamental é a inclusão dos povos originários na tomada de decisão. Representantes da COICA (Coordenadoria das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica) ressaltaram que a sustentabilidade operacional de qualquer obra depende diretamente da integração do conhecimento tradicional no manejo do território.
Perspectivas futuras
A reativação desta comissão é um passo prático para tirar do papel os compromissos assumidos na Declaração de Belém. Ao promover um ecossistema onde a conservação caminha junto com a expansão de serviços essenciais, a OTCA busca reduzir conflitos e garantir maior segurança jurídica para os investimentos.
O sucesso dessa agenda depende da colaboração multissetorial, que já conta com o apoio de entidades como o IEMA e o GT Infra. A expectativa é que, ao integrar ciência, políticas públicas e saberes ancestrais, a região possa, enfim, desenhar um modelo de infraestrutura que assegure um futuro viável para a bacia amazônica.





















