Acionamento inédito do plano emergencial restringe geração de energia no domingo
A segurança do Sistema Interligado Nacional (SIN) foi testada no último domingo, com o **Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS)** acionando pela primeira vez seu Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia. A medida resultou na restrição de 1 Gigawatt (GW) de geração entre as 10h e 14h, um movimento inédito desde a criação do mecanismo.
O cenário que levou a essa intervenção foi a combinação de um feriado prolongado, o que naturalmente diminui o consumo de energia, com a produção expressiva de **geração distribuída**, especialmente a solar. Diante dessa conjuntura, o ONS agiu para garantir a estabilidade do sistema elétrico.
Desafios da Geração Distribuída
A rápida expansão da **micro e minigeração distribuída (MMGD)** tem apresentado novos desafios operacionais ao setor elétrico brasileiro. O crescimento acelerado dessas fontes, aliada a períodos de baixa demanda, como em feriados e fins de semana, pode levar a um excesso de oferta de energia na rede.
O ONS já vinha sinalizando essa preocupação em reuniões, antecipando a possibilidade de acionar o plano em ocasiões como a do último domingo. A carga líquida, que reflete a demanda efetiva após descontar a geração distribuída, é um indicador crucial monitorado pelo operador. Quando este índice cai a níveis críticos, a capacidade de manter serviços essenciais do sistema, como controle de frequência e tensão, fica comprometida.
“A medida foi indicada para poder equilibrar a alta geração de micro e mini geração distribuída, combinada a uma carga menor por conta do final de semana prolongado em função do feriado de Corpus Christi”, explicou o ONS em nota oficial.
Execução e Colaboração das Distribuidoras
A comunicação sobre o acionamento do plano foi feita no sábado, e as distribuidoras de energia realizaram as manobras necessárias para a execução dos cortes. A **Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee)** informou que as empresas estavam preparadas para cumprir as determinações.
Participaram da operação distribuidoras como CPFL Paulista, Cemig, Energisa Mato Grosso, Copel, Neoenergia Elektro, Celesc, entre outras, selecionadas por concentrarem grande parte da potência instalada de usinas do Tipo III, conectadas diretamente às redes de distribuição e não despachadas centralizadamente pelo ONS.
Apesar da execução bem-sucedida, a Abradee ressaltou a importância do aperfeiçoamento dos procedimentos operacionais relacionados a esses cortes, defendendo maior detalhamento para garantir clareza e segurança jurídica aos agentes do setor.
Próximos Passos e Reflexões
O plano emergencial prevê uma hierarquia de medidas antes de chegar à restrição de usinas conectadas às redes de distribuição. O ONS primeiro busca reduzir a geração de fontes centralizadas, como hidrelétricas e termelétricas, além de parques eólicos e solares sob sua coordenação. Somente quando essas ações se mostram insuficientes é que o mecanismo de corte das usinas Tipo III é acionado.
Este evento inédito reforça a necessidade de adaptação contínua do sistema elétrico brasileiro à dinâmica da transição energética, onde fontes renováveis e descentralizadas ganham cada vez mais espaço. O monitoramento rigoroso e a capacidade de resposta ágil do **ONS** são fundamentais para garantir a confiabilidade e a segurança do fornecimento de energia, mesmo diante de cenários complexos e emergentes.























