O ONS trabalha na implementação do ERAG até o fim de 2024. A nova tecnologia automatiza o corte de geração para garantir a estabilidade do Sistema Interligado Nacional.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) está em fase final de preparação para implementar uma nova camada de segurança na malha energética brasileira. Até o encerramento deste ano, a entidade pretende colocar em operação o Esquema Regional de Alívio de Geração (ERAG), uma ferramenta desenhada para mitigar riscos de instabilidade em momentos críticos de excesso de oferta ou falhas operacionais.
O anúncio foi feito por Sumara Ticom, assessora executiva da Diretoria de Planejamento do órgão, durante o evento MinutoMega Talks. A medida surge como uma resposta necessária à complexidade crescente da matriz energética, que agora conta com uma participação cada vez maior de fontes intermitentes e projetos conectados diretamente à rede de distribuição.
Funcionamento e segurança do sistema
O ERAG opera sob uma lógica similar aos tradicionais Esquemas Regionais de Alívio de Carga (ERAC). Enquanto o ERAC preserva a rede ao desconectar consumidores em casos de emergência, o novo mecanismo atuará diretamente sobre a ponta geradora, reduzindo a produção automaticamente quando ordens de despacho não forem seguidas pelos agentes.
“Se não houver o cumprimento da ordem de corte de geração por parte do agente, o esquema atuará de forma automatizada para impedir que a frequência do sistema elétrico ultrapasse os limites de segurança, evitando assim instabilidades maiores,” afirmou Sumara Ticom durante o evento.
Observabilidade da geração distribuída
Além do ERAG, o ONS reforça que a agenda de flexibilidade do setor elétrico brasileiro depende diretamente de uma maior supervisão sobre os ativos. O crescimento da geração distribuída exige que usinas com capacidade acima de 5 MW sejam integradas ao radar do operador, deixando de ser vistas como elementos externos à operação centralizada.
O órgão tem colaborado ativamente com a Aneel na atualização dos Procedimentos de Distribuição (Prodist). O objetivo é viabilizar estudos sobre fluxos invertidos de energia e utilizar sandboxes regulatórios para testar soluções que permitam o controle eficiente sem comprometer a confiabilidade do fornecimento nacional.
A implementação deste esquema representa um passo estratégico para o futuro do setor. Com o avanço das fontes renováveis, a capacidade de resposta automática da rede tornou‑se indispensável para evitar blecautes e garantir que o sistema mantenha sua frequência estável, mesmo diante de variações bruscas de carga ou produção.






















