O Operador Nacional do Sistema Elétrico inicia uma reestruturação estratégica focada na criação de ferramentas computacionais de código aberto, visando maior transparência e agilidade para o setor de energia.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) iniciou uma mudança profunda em seu organograma com o lançamento do projeto Maestro. A iniciativa, que está sendo implementada em etapas, marca uma guinada em direção ao desenvolvimento interno de novas tecnologias de modelagem e gestão eletroenergética, priorizando o uso de códigos abertos e a construção colaborativa com os agentes do mercado.
O principal objetivo dessa transformação é fortalecer a autonomia técnica da entidade. Ao desenvolver soluções próprias, o ONS busca não apenas substituir sistemas legados, mas também aumentar a previsibilidade e a velocidade na adoção de inovações, algo essencial diante da crescente complexidade de uma matriz elétrica que integra cada vez mais fontes renováveis e variáveis.
Fases de implementação e colaboração setorial
A transição está ocorrendo de forma organizada. Atualmente, o ONS trabalha na estruturação interna da nova equipe, com a ocupação de cargos estratégicos. A partir de julho, o projeto entra na fase de operação assistida, sob o monitoramento rigoroso das diretorias de Planejamento, TI e Assuntos Regulatórios, com a meta de ter a nova configuração operacional plena até outubro de 2026.
As novas ferramentas seguirão um modelo open source, garantindo que o conhecimento gerado seja compartilhado com o setor sem custos, promovendo um ambiente de transparência nas decisões operacionais.
“Esse movimento reforça a capacidade técnica do ONS, avaliando a operação em cenários diversificados ao longo do tempo e uma geração de perfil cada vez mais variável. A proposta é ampliar a transparência de decisões para todos os envolvidos, que também entendem da realidade da operação, trabalhem com a garantia das melhores práticas de uma ferramenta open source em um ambiente colaborativo”, afirmou Alexandre Zucarato, diretor de Planejamento do ONS.
Impacto no futuro do setor elétrico
Essa mudança reflete a necessidade de modernização frente aos desafios do Sistema Interligado Nacional (SIN). Ao descentralizar o desenvolvimento de suas ferramentas e permitir que agentes do mercado participem da construção das soluções, o ONS pretende criar um ecossistema mais resiliente.
Com o projeto Maestro, a expectativa é que o Brasil ganhe maior eficiência no gerenciamento de carga e geração. O sucesso desta empreitada não apenas trará independência tecnológica para o operador, mas também servirá como um divisor de águas para a governança do setor elétrico brasileiro, preparando o país para as demandas energéticas da próxima década.






















