Novos dados sobre água e reservatórios irão impactar cálculo de energia e preços.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) implementará em breve atualizações significativas nos modelos que fundamentam o planejamento da geração de energia e a definição dos preços no setor.
A partir do Programa Mensal da Operação (PMO) de novembro de 2026, novas estimativas sobre o volume de água que chega às usinas hidrelétricas e a capacidade de armazenamento dos reservatórios serão incorporadas.
Esta mudança, que reflete um esforço contínuo de aprimoramento iniciado em 2018, visa refletir com maior precisão as condições hídricas e operacionais do sistema.
A previsão inicial de implementação em setembro foi adiada após a identificação da necessidade de ajustes finos em algumas informações durante os testes.
Revisão Abrangente de Dados Hídricos
A atualização é resultado de um minucioso processo que envolveu a revisão de garantias físicas de usinas hidrelétricas, conforme determinação do Tribunal de Contas da União (TCU).
Foram atualizadas informações cruciais como nível, área alagada e volume dos reservatórios.
Além disso, foram revisadas as estimativas de consumo de água por atividades humanas, como irrigação e abastecimento, que impactam o retorno ao leito dos rios.
Outro ponto fundamental foi o recálculo das séries de vazões naturais médias mensais, que simulam o fluxo de água sem a interferência de barragens ou outros usos.
Uma nova metodologia também foi adotada para estimar a perda líquida de água por evaporação, um fator relevante em reservatórios de grande porte.
Impacto nas Estimativas de Geração e Armazenamento
Os dados preliminares apresentados pelo ONS indicam que as novas séries hidrológicas alteram as estimativas históricas de Energia Natural Afluente (ENA), que mede o potencial de geração a partir da água recebida pelas usinas.
Entre 1931 e 2023, a ENA média do Sistema Interligado Nacional (SIN) apresentou um leve aumento de 0,2%, equivalente a 177 MW médios.
Por outro lado, a Energia Armazenada Máxima (EARmáx), que representa a capacidade total de armazenamento energético dos reservatórios, registrou uma redução de 1,6% no SIN, correspondendo a 4.601 MW.
Essas mudanças, embora percentualmente pequenas, podem ter implicações nos cálculos de operação e nos preços de energia.
Aprimoramentos Metodológicos e Testes
A atualização dos modelos hidrológicos, como o SMAP/ONS, que estima vazões a partir de dados de chuva, incorpora o produto Merge, combinando dados de estações meteorológicas com estimativas via satélite, e limites sazonais para o escoamento de base.
Esses dados aprimorados são a base para os modelos Newave, Decomp e Dessem, utilizados no planejamento e cálculo da disponibilidade de energia.
As alterações metodológicas foram aprovadas em setembro de 2025, condicionadas à recalibração dos modelos com as novas séries de vazões.
O adiamento da implementação ocorreu após um período de testes em processo-sombra, iniciado em junho de 2026, onde os novos dados foram simulados paralelamente aos dados oficiais.
Durante esses testes, foram identificadas necessidades de ajustes que levaram à nova data de implementação no PMO de novembro.
Este trabalho conjunto envolveu a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o Ministério de Minas e Energia (MME), agentes de geração e o próprio ONS.
As novas séries de vazões e informações de reservatórios foram homologadas pela Aneel ao longo deste ano, validando a robustez das atualizações.












