Por Misto Brasil – DF
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O Fórum para Pesquisa Agrícola na África (Fara) e a Embrapa Cerrados uniram forças para debater a adaptação de tecnologias brasileiras de cultivo tropical, visando aplicar soluções na Savana africana. Essa importante discussão ocorreu durante o X Simpósio Nacional Cerrado, sediado em Brasília.
Dados apresentados por Abdukrazak Ibrahim, coordenador do Fara, revelam o enorme potencial agrícola do continente africano: ele detém impressionantes 60% das terras agricultáveis não exploradas do planeta, totalizando aproximadamente 600 milhões de hectares. Apesar desse vasto recurso, os países africanos enfrentam o desafio de importar anualmente US$ 100 bilhões em alimentos para suprir a demanda de sua população, que deve atingir 2,5 bilhões de habitantes até 2050.
Para mudar esse cenário, a cooperação técnica entre o Brasil e nações africanas já demonstrou resultados significativos. Mais de 3 mil profissionais de 20 países foram capacitados em centros de pesquisa brasileiros, com foco na transferência de tecnologia para o manejo de solo e aprimoramento dos índices de produtividade. Um exemplo claro é a produção de milho: enquanto a média africana é de 2,2 toneladas por hectare, áreas que aplicam insumos e monitoramento técnico registram entre 10 e 12 toneladas por hectare.
Esse intercâmbio de conhecimentos busca impulsionar culturas como o trigo na Etiópia, a mandioca na Nigéria e o milho em Gana. Para saber mais sobre acordos similares, Leia – Embrapa Cerrados e empresa de Angola firmam acordo.
Riscos Climáticos e Soluções para o Campo Brasileiro
Em paralelo às discussões sobre expansão agrícola, pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e da Fundação Getulio Vargas (FGV) trouxeram à tona os impactos do aquecimento global no bioma Cerrado, que abrange 23% do território brasileiro. Levantamentos da Embrapa indicam que eventos climáticos extremos causaram perdas acumuladas de R$ 300 bilhões na agricultura nacional entre os anos de 2000 e 2024.
Mapeamentos climáticos revelam que o período de chuvas na região central do Brasil encurtou em média 22 dias, resultando em uma redução de 10% nos índices de evapotranspiração, fator crucial para a saúde das lavouras.
Como uma alternativa prática para conter o avanço do desmatamento e mitigar a perda de biodiversidade, o painel técnico apresentou os resultados do programa privado Reverte, administrado pela Syngenta. Desde seu lançamento em 2019, a iniciativa destinou R$ 2 bilhões em linhas de financiamento para a conversão de pastagens degradadas em lavouras produtivas de grãos e fibras.
Até o momento, o projeto já contabiliza a recuperação de 280 mil hectares em 400 propriedades rurais brasileiras. Essa recuperação é alcançada através de práticas sustentáveis como a rotação de culturas, o plantio direto e a inserção de vegetação de cobertura, que auxilia na fixação de carbono no solo, contribuindo para a saúde ambiental e a produtividade.
Visão Geral
O cenário global e nacional da agricultura é de grandes desafios e oportunidades. Enquanto o continente africano detém um imenso potencial para a segurança alimentar global, o Brasil se posiciona como um parceiro estratégico na transferência de tecnologia. Contudo, ambos os cenários são marcados pela urgência de enfrentar os riscos climáticos e promover práticas agrícolas sustentáveis. Iniciativas como a cooperação técnica e programas de recuperação de áreas degradadas demonstram o caminho para conciliar o aumento da produção de alimentos com a preservação ambiental, garantindo um futuro mais resiliente para a agricultura.
Créditos: Misto Brasil





















