Novo boom da geração própria de energia projetam especialistas

Até 2050, a solar deve assumir o primeiro lugar da matriz energética brasileira, aponta BNEF. Foto: Freepik
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Incertezas geradas pela Lei 14.300 e as dificuldades de financiamento, profissionais preveem novo ciclo de expansão da solar

Investir em geração própria de energia – especialmente a solar – continua sendo um bom negócio. E esse segmento deve passar por um novo boom nos anos de 2024 e 2025. A projeção faz parte da análise de especialistas presentes no painel sobre Geração Distribuída de Energia Solar, que ocorreu nesta terça-feira (07), durante o Intersolar Summit Brasil Sul, no Centro de Eventos FIERGS.

O evento segue até hoje (08) com entrada franca para visitação dos mais de 50 expositores. “O segmento de geração própria de energia sofreu com as mudanças macroeconômicas, com a inflação pós-pandemia, queda do poder de compra, redução do crédito e com as financeiras que secaram os investimentos com o risco da inadimplência”.

“Agora, estamos começando um novo ciclo, com muito mais oportunidades, mas que exigem uma maior capacitação técnica”, disse Romulo Roque Pieta, CEO da Pieta.tech, um dos palestrantes do evento.

Para ele, a Lei 14.300 representou maior segurança e respaldo jurídico para o setor, apesar das incertezas iniciais. Além disso, o setor foi impactado pelos custos representados pela cobrança do Fio B na tarifa de energia.

No entanto, essa cobrança, que iniciou em 15% em 6 de janeiro de 2023 e seguirá em uma escala gradual até atingir 90% em 2029, foi compensada pela redução de cerca de 30% no valor dos equipamentos usados para instalação dos sistemas de energia fotovoltaica. “Investir em geração própria de energia nunca teve um retorno tão bom e tão seguro, porque agora existe uma lei que protege o setor”, concluiu Pieta.

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Desafios

Se as perspectivas do setor fotovoltaico são positivas, os investidores precisam ficar atentos a alguns obstáculos que estão surgindo no caminho. Um deles, segundo Bárbara Rubim, CEO da Bright Strategies, são problemas nas faturas de empresas que integram o mercado livre de energia. “Das 80 contas que analisamos recentemente, praticamente 100% tinham erros de cobrança, incluindo das concessionárias do Rio Grande do Sul, RGE e CEEE”.

Para quem pretende ingressar ou já está nesse mercado, Bárbara faz ainda outra recomendação. “Os quatro fatores que determinarão a viabilidade da geração própria de energia são a alíquota de ICMS no estado ou não para o modelo, o que pode ser impactado pela Reforma Tributária; o valor da demanda contratada; o peso do fio B na tarifa de energia; e a simultaneidade”, enumerou.

O tema da simultaneidade foi o principal destaque da participação de Frederico Boschin, diretor-executivo da Noale Energia, no evento. “Não interessa quanto de energia se consome, mas como se consome. Ou seja, é preciso gerar energia ao mesmo tempo (no mesmo horário) em que se utiliza”, recomendou.

Mesmo com algumas barreiras, o crescimento do mercado de contratação livre de energia é inegável. “A geração de autoprodutores subiu 636,6% no Brasil de 2022 para 2023, segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica”, pontuou Boschin.

Conforme o advogado, o principal destaque do ambiente de contratação livre é justamente o da geração de energia solar fotovoltaica, com 62,8%, seguida pela térmica, com 2,2%, e pela eólica, com 2,1%. Com isso, a representatividade do mercado livre no consumo de energia no Brasil cresce a cada ano e deve chegar a 37% em 2023.

Potencial da Região Sul

Florian Wessendorf, CEO da Solar Promotion, fez a abertura do evento e destacou a importância do estado que tem a maior base instalada de geração de energia fotovoltaica do país e é o terceiro maior produtor nacional de grãos. Isso abre espaço para uma aplicação emergente, a agrivoltaica. Ela proporciona a sinergia entre a energia solar e agricultura, um dos principais temas do evento.

“A escolha da capital gaúcha como sede do primeiro Intersolar Summit Brasil Sul deve-se à conjunção de dois fatores: o primeiro é a pujança da produção agropecuária do estado e o segundo é o potencial de expansão da energia solar fotovoltaica, associado ao armazenamento de energia”, complementou Celso Mendes, conselheiro de energia solar da Aranda Eventos, organizadora da Intersolar Brasil Summit.

A percepção foi reforçada por Rodrigo Sauaia, CEO da ABSOLAR. “A Região Sul do Brasil sempre teve papel de protagonismo na geração de energia fotovoltaica, tanto que os três estados, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, estão no Top 10, com maior volume de geração distribuída”, ressaltou. Os gaúchos ocupam a terceira colocação no Brasil nesse indicador, atrás apenas de São Paulo e de Minas Gerais.

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De acordo com Sauaia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, juntos, possuem uma capacidade fotovoltaica instalada de 6,1 GW, receberam investimentos de mais de R$ 31,1 bilhões e geraram 184,4 mil novos empregos. Outro destaque é a arrecadação de tributos – acumulada em R$ 7,4 bilhões até 20023, com base em dados da ABSOLAR e da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica).

Um aspecto interessante é de que a maior parte das instalações no Rio Grande do Sul está nas residências, com 49,6% de participação da geração distribuída no estado. Depois seguem as instalações comerciais, com 22,3%; as agrícolas, com 19,25%, e as indústrias.

“A grande diferença da energia solar para a eólica é que pode ser feita em qualquer tamanho e em qualquer lugar que tenha solo. É um projeto modular. E essa facilidade abre potencial para o crescimento desse tipo de aplicação e o aumento da participação da energia fotovoltaica na matriz energética do estado”, destacou Eberson Silveira, assessor de energia da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e professor da especialização em energias renováveis da PUC-RS.

“O RS é protagonista em energia renovável no Brasil. Além do reconhecido potencial em energia eólica, o estado se destaca com a potência instalada de 2,5 GW de energia solar e investimentos já realizados na ordem de R$ 12 bilhões. No RS, esse tipo de energia já soma 22,6% da potência instalada já tendo ultrapassado a eólica”, finalizou


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Geração per capita no Sul

Outro palestrante, o doutor em Engenharia Elétrica Leandro Michels, professor associado da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) e diretor da Unidade Embrapii em Recursos Energéticos Distribuídos da Instituição, trouxe dados referentes à geração per capita dos três estados do Sul, que incluem 221 W no Rio Grande do Sul, 197 no Paraná e 174 em Santa Catarina. “O Rio Grande do Sul tem a terceira maior potência per capita do Brasil”.

Ele destaca que há um grande espaço de crescimento para esse mercado, com base no exemplo per capita da Austrália, que registra cerca de 1.100 W por habitante. Um dos principais desafios enfrentados pelo setor é a modernização do sistema elétrico brasileiro, cujo modelo foi concebido para outro tipo de geração e passou por pequenas mudanças nos últimos anos.

“A medida que a penetração fotovoltaica aumenta, surgem novos desafios técnicos. Nós já temos um crescimento significativo e um espaço muito grande ainda para crescer, mas para que esse crescimento seja mais simples, nós precisamos acertar questões técnicas de modelo do sistema elétrico, do sistema de distribuição e há um caminho simples, que é tentar tecnologizar, tornar as redes elétricas atuais mais inteligentes e tudo isso pode ser feito com o mínimo investimento”, enfatizou.

Nesta quarta-feira, às 14h, Michels participa de um segundo painel no Intersolar, no qual debaterá o tema “Inovações em energia solar Fotovoltaica – agri-FV, sistemas de armazenamento de pequena escala, preparação para o mercado livre”.

Dados da solar no Brasil

Até 2050, a geração de energia solar deve assumir o primeiro lugar da matriz energética brasileira. Segundo projeções da BNEF (BloombergNEF), o Brasil deve ter potencial instalado de 121 GW, representando 32,2% da matriz energética nas próximas décadas.

O avanço desta fonte vem em alta velocidade – em 2016, representava 0,1% da potência instalada, e, hoje, já chega a 15,6%. No ranking de 2022, o país ocupa a quarta colocação mundial em capacidade instalada anual, com 9,9 GW – atrás de China, Estados Unidos e Índia.

Sobre o Intersolar Summit Sul

Os organizadores esperam receber 2 mil visitantes e 350 congressistas, além de reunir 50 expositores em 4.000 m² de feira. O congresso contará com 25 palestrantes e a programação inclui minicursos e apresentações, algumas com entradas gratuitas.

O Intersolar Summit Brasil Sul conta com as parcerias da ABGD (Associação Brasileira de Geração Distribuída), ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), UFSM (Instituto de Redes Inteligentes da Universidade Federal de Santa Maria), AHK (Câmara de Comércio Brasil Alemanha), Sebrae-RS, Senai-RS, Sindienergia-RS, Movimento Solar Livre, Greener, INEL (Instituto Nacional de Energia Limpa) e NewCharge.

Informações e credenciamento estão disponíveis no site.

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Fonte: https://canalsolar.com.br/especialistas-projetam-novo-boom-da-geracao-propria-de-energia/

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