Niterói implementa usina fotovoltaica no Morro da Boa Vista para estabilizar encosta e gerar economia anual de R$ 1,6 milhão em energia limpa.
A Prefeitura de Niterói deu um passo pioneiro ao integrar a transição energética com a política de prevenção a desastres naturais. No Morro da Boa Vista, foi inaugurada uma usina solar de grande escala, que transforma um terreno anteriormente marcado pela vulnerabilidade geológica em uma fonte de eletricidade renovável e um sistema ativo de proteção contra deslizamentos.
O projeto é a peça central do programa municipal Encosta Verde. A iniciativa demonstra como o planejamento urbano inteligente pode converter áreas de alto risco — sujeitas a erosão e incêndios florestais — em ativos sustentáveis. Além de gerar energia, a instalação atua na contenção do solo e na melhoria do manejo de águas pluviais, reduzindo ameaças comuns em zonas de relevo irregular.
Engenharia a serviço da sustentabilidade e segurança
Sob a gestão da Secretaria Municipal de Proteção e Defesa Civil, o parque fotovoltaico foi desenhado para atuar em perfeita harmonia com a topografia local. Com uma extensão superior a 35 mil m², o complexo recebeu mais de 2,7 mil painéis de alto rendimento. A disposição dessas estruturas foi calculada para otimizar a drenagem da água da chuva, protegendo a encosta contra o escoamento superficial excessivo.
“O projeto reflete uma mudança de paradigma na gestão pública, onde a infraestrutura energética deixa de ser apenas uma commodity e passa a ser uma ferramenta de resiliência territorial e proteção social”, destacou a gestão municipal durante a entrega da obra.
Modelo econômico e impacto social
A usina opera sob o sistema de Micro e Minigeração Distribuída (MMGD), sendo que o montante gerado — cerca de 150 mil kWh mensais — é revertido em créditos para abater o custo da fatura de energia de prédios e repartições da administração pública. Com um investimento inicial na ordem de R$ 7,7 milhões, o município estima um retorno financeiro em menos de 60 meses.
Mais do que economia, a iniciativa buscou o engajamento comunitário. O desenho e a implementação do parque foram debatidos com moradores de cinco comunidades vizinhas, garantindo que a intervenção urbana servisse também como um motor de revitalização e geração de postos de trabalho. A expectativa é que o excedente financeiro, após o período de retorno do investimento (payback), seja reinvestido em programas sociais diretamente voltados aos moradores das áreas impactadas pelo projeto Encosta Verde.























