O relatório anual da Irena revela um cenário contrastante para a transição energética brasileira em 2025: enquanto a energia solar torna-se drasticamente mais acessível, a geração eólica em terra apresenta um leve reajuste de preços.
O setor de energias renováveis no Brasil segue em destaque global, consolidando o país como um dos mercados mais eficientes para a transição energética. Segundo dados da Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena), o custo nivelado da energia (LCOE) para a fonte solar fotovoltaica registrou uma queda expressiva de 25% entre 2024 e 2025, atingindo a marca de US$ 37 por MWh.
Em contrapartida, a geração eólica onshore apresentou uma valorização de 3% no mesmo período, fechando em US$ 31/MWh. Apesar do encarecimento pontual, a fonte eólica brasileira mantém um patamar de competitividade privilegiado, ocupando o posto de segunda mais barata do mundo, ficando atrás apenas da China, onde o custo é de US$ 27/MWh.
Eficiência operacional e custos de instalação
Embora o custo nivelado da eólica tenha sofrido um reajuste, a indústria nacional conseguiu um feito raro: a redução dos custos de capital (CAPEX) para novos projetos. Em 2025, o Brasil foi, ao lado da China, um dos poucos mercados globais a observar uma queda nos gastos de instalação de parques eólicos, com uma retração de 4% nos investimentos necessários para colocar novas usinas em operação.
Sobre o desempenho das renováveis no mix energético nacional, o estudo ressalta a importância econômica da estratégia de expansão limpa. De acordo com a Irena, a presença das renováveis no sistema brasileiro evitou gastos vultosos que ultrapassaram os US$ 32 bilhões. Esse valor seria o custo necessário caso o país tivesse optado por expandir sua matriz utilizando fontes fósseis, como o carvão e o gás natural.
Brasil em posições de liderança global
No campo da energia solar fotovoltaica, a competitividade brasileira aproximou-se significativamente dos líderes globais. Com o custo fixado em US$ 37/MWh, o país encosta em mercados como a Índia (US$ 35/MWh) e a China (US$ 36/MWh).
“A trajetória de queda nos custos observada no Brasil reforça a maturidade tecnológica e o ganho de escala que o país alcançou na última década, tornando a energia renovável a principal alavanca para o desenvolvimento industrial sustentável”, aponta o relatório.
O setor hidrelétrico também reforça a resiliência da matriz. O Brasil mantém os menores custos de instalação do mundo para grandes usinas hidrelétricas, com uma média de US$ 1.463/kW entre 2018 e 2025. Para o segmento de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), o custo de US$ 2.540/kW coloca o Brasil em uma posição de vice-liderança global, atrás apenas da China, que opera com valores na casa dos US$ 1.918/kW.
Esses indicadores reforçam que, apesar de flutuações de mercado, o Brasil permanece com uma das matrizes mais econômicas e sustentáveis do planeta, sendo um ativo estratégico para a segurança energética nacional e para a atração de novos investimentos internacionais.























