O aumento expressivo no valor da energia elétrica residencial em 2025, superando drasticamente a inflação, coloca o custo da luz como uma das principais pressões financeiras sobre o orçamento das famílias de classe média brasileira.
A energia elétrica residencial registrou uma escalada de 12,31% ao longo de 2025, um índice que chega a ser quase três vezes superior à inflação oficial do país (IPCA), que encerrou o ano em 4,26%, conforme dados do IBGE. Entre centenas de itens pesquisados, o custo da eletricidade destacou-se como o principal motor de pressão sobre o bolso do consumidor, impactando diretamente o custo de vida anual.
Especialistas do setor apontam que este cenário não é isolado, mas reflete uma mudança estrutural. A conta de luz deixou de ser uma despesa previsível para se tornar um dos gastos mais preocupantes para a classe média, segmento que absorve o impacto dos reajustes sem o suporte de subsídios e com a renda familiar em ritmo de crescimento lento.
Mudança de comportamento e consumo
O impacto no orçamento é amplificado por uma combinação de fatores: reajustes tarifários constantes e uma alteração profunda no padrão de uso doméstico. A maior presença de eletrodomésticos, o uso intensivo de ar-condicionado e a conectividade constante aumentaram a demanda por energia em comparação aos anos anteriores.
“Há alguns anos, a conta de luz era tratada como uma despesa fixa do mês. Hoje ela passou a ser um gasto acompanhado com muito mais atenção pelas famílias, porque qualquer reajuste é sentido imediatamente no orçamento.”
Essa tendência de alta é corroborada pelo próprio uso dos imóveis. Segundo Luís Fernando Roquette, mesmo sem grandes alterações na rotina, as residências modernas operam sob uma carga maior. “As casas passaram a consumir mais energia. O uso de ar-condicionado aumentou, os equipamentos eletrônicos permanecem ligados por mais tempo e há uma demanda crescente por novos aparelhos”, completa o executivo.
O futuro da eletrificação no Brasil
A perspectiva para os próximos anos indica que o peso do setor elétrico na economia doméstica só deve crescer. A eletrificação da economia, impulsionada pela popularização de veículos elétricos e pela digitalização crescente dos lares, sugere uma dependência ainda maior das redes de distribuição e, consequentemente, uma maior exposição aos preços da energia.
Para enfrentar essa nova realidade, o planejamento estratégico torna-se fundamental. O debate sobre eficiência energética e previsibilidade tarifária deixa de ser um nicho técnico para se tornar uma questão central de economia doméstica.
“À medida que o Brasil amplia a eletrificação da economia, discutir previsibilidade tarifária, eficiência energética e planejamento do setor deixa de ser uma pauta técnica e passa a ser uma discussão econômica que afeta toda a sociedade.”
O desafio agora é conciliar o avanço da tecnologia e o conforto moderno com políticas que garantam a sustentabilidade financeira das famílias, evitando que o custo da energia se torne uma barreira insustentável para o desenvolvimento socioeconômico do país nos próximos anos.




















