Minas Gerais se prepara para abrigar grandes data centers com mapeamento estratégico da infraestrutura elétrica.
A ascensão do processamento de dados e da inteligência artificial impulsiona a busca por locais ideais para a instalação de data centers de grande porte. Nesse cenário, o estado de Minas Gerais emerge como um player promissor, com um plano estratégico que visa atrair investimentos significativos em infraestrutura tecnológica. Uma iniciativa conjunta entre a Cemig, a principal concessionária de energia do estado, e a Invest Minas, agência de promoção de investimentos, está mapeando detalhadamente a capacidade da rede elétrica mineira para atender às elevadas demandas de consumo desses empreendimentos.
O estudo técnico, liderado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG), foca em avaliar a viabilidade de fornecimento de energia para complexos de dados com capacidade de até 100 megawatts (MW). Essa análise aprofundada considera não apenas a disponibilidade de energia, mas também a robustez e a estabilidade da rede de transmissão e distribuição, fatores cruciais para a operação contínua e eficiente dos data centers. A iniciativa busca, ainda, posicionar Minas Gerais como um centro competitivo em um mercado cada vez mais disputado, especialmente diante da saturação de outros polos tecnológicos no Sudeste.
## Mapeamento Estratégico em Quatro Regiões Chave
O mapeamento realizado pela engenharia da Cemig identificou quatro regiões com potencial para receber esses grandes centros de dados: a Região Metropolitana de Belo Horizonte, o Triângulo Mineiro, o Centro-Oeste e a Zona da Mata. A seleção dessas áreas levou em conta uma série de critérios técnicos essenciais, que vão além da simples proximidade com subestações de alta tensão. Foram avaliadas a capacidade de curto-circuito, a conexão ao Sistema Interligado Nacional (SIN), a disponibilidade de infraestrutura de fibra óptica, a logística de transporte e a proximidade com grandes centros consumidores.
A secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa, ressalta a importância desta articulação: “A economia digital demanda uma infraestrutura sólida e um planejamento integrado. Nosso trabalho com a Cemig e a Invest Minas permite identificar as regiões mineiras com a capacidade necessária para sediar esses empreendimentos, orientando políticas públicas que fomentam esse segmento em bases técnicas e sustentáveis.”
## Atração de Investimentos e Vantagem Competitiva
A parceria entre Cemig e Invest Minas consolida uma estratégia que já vinha sendo desenvolvida, com o lançamento anterior da “Tese de Investimentos para Data Centers” pela agência. O objetivo agora é integrar essa visão com políticas estaduais transversais, facilitando o acesso à energia, a obtenção de linhas de financiamento e a desburocratização de processos.
Larissa Batista, gerente da Invest Minas, destaca o impacto comercial dessa abordagem: “Apresentamos aos investidores um potencial de Minas Gerais embasado em estudos técnicos, o que reduz incertezas e fortalece nossa competitividade. Isso é fundamental para atrair investimentos que geram desenvolvimento socioeconômico.”
Um diferencial competitivo adicional para Minas Gerais é sua matriz energética predominantemente renovável, com forte presença de fontes solares e hídricas. Essa característica alinha-se diretamente às metas globais de descarbonização das grandes empresas de tecnologia. Além disso, o estado busca integrar outros fatores atrativos, como a mão de obra qualificada, linhas de crédito específicas e agilidade nos processos regulatórios e ambientais. Com o mapa de capacidade energética em mãos, Minas Gerais está pronta para negociar com operadores globais, transformando seu potencial elétrico em um polo de atração para a economia digital.






















