A produtora de fertilizantes Yara critica a falta de competitividade no mercado livre de gás brasileiro, destacando que a posição dominante da Petrobras ainda dita os preços e dificulta investimentos industriais.
Embora o Brasil tenha avançado no processo de abertura do mercado de gás natural, permitindo que consumidores migrem do ambiente cativo para o livre, a percepção de players estratégicos é de que o sistema ainda carece de fluidez. Para a Yara, uma das principais empresas do setor de fertilizantes, a estrutura atual apresenta um entrave fundamental: a ausência de uma competição efetiva que coloque o preço da molécula sob a lógica real de oferta e demanda.
Durante o evento ROG.e, realizado recentemente no Rio de Janeiro, a gerente de Energia da Yara, Lara Terra, ressaltou que a presença de um agente com posição dominante no mercado continua a ditar o ritmo da precificação. Segundo a executiva, essa falta de funcionalidade competitiva retira a previsibilidade necessária para que indústrias planejem novos aportes financeiros no país.
O desafio atual do mercado livre não é tanto a liberalização. O ponto que a gente precisa atacar é a parte da competitividade.
A preocupação da Yara encontra eco em outras gigantes da indústria. A Ternium, siderúrgica que também participou dos debates na ROG.e, reforçou que o custo atual do insumo continua sendo um limitador para o desenvolvimento industrial brasileiro. Enquanto a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) busca contornar o cenário através de propostas como o gas release, visando reduzir a influência da Petrobras, a estatal argumenta que a mera mudança no agente vendedor não garante, por si só, uma redução nos valores finais para o consumidor.
Os gargalos logísticos e regulatórios
Além do preço da molécula, o custo de transporte também está no centro das críticas. Thiago Araraki, diretor da MGás, aponta que as exigências técnicas para a movimentação do insumo criam barreiras de entrada desnecessárias. A necessidade de uma precisão extrema nos volumes para evitar penalidades onera o setor e desencoraja a participação de consumidores de menor porte, essenciais para aumentar a liquidez do mercado.
O cenário frustrante no Rio de Janeiro
No âmbito estadual, o avanço do mercado livre também enfrenta percalços. Vladimir Paschoal, conselheiro da Agenersa, classificou a evolução local como frustrante. Apesar de pequenas movimentações, o setor vive impasses regulatórios, como a disputa judicial entre a agência e a distribuidora Naturgy, que envolve a migração de plantas da Braskem e da CSN para o mercado livre.
O futuro do setor de energia limpa e o desenvolvimento industrial do Brasil dependem diretamente da superação desses entraves. A expectativa do mercado agora se volta para a implementação do Pacto Nacional para o Desenvolvimento do Mercado de Gás Natural, visto como uma peça-chave para harmonizar regras estaduais e remover as barreiras que ainda sufocam a competitividade energética.















