O grupo J&F avança em negociações para adquirir seis termelétricas da Bolognesi, adicionando mais de 1,1 GW à sua capacidade de geração de energia, impulsionando a estratégia de crescimento.
Em um movimento estratégico que redesenha parte do cenário energético brasileiro, o grupo J&F, um dos maiores conglomerados do país, iniciou o processo de aquisição de um significativo portfólio de seis termelétricas pertencentes à Bolognesi. A transação envolve usinas movidas a óleo combustível e diesel, além de projetos ainda em desenvolvimento, somando expressivos 1.115,03 MW de capacidade instalada.
Essa negociação representa um passo importante para a J&F reforçar sua já consolidada presença no segmento de geração de energia, enquanto a Bolognesi foca sua reestruturação em ativos de energia renovável, alinhada com as tendências globais de sustentabilidade e energia limpa. A operação, que ainda não teve seu valor divulgado, está sob análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), com a comunicação à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) prevista para após o fechamento.
Expansão Estratégica para a J&F
Para a J&F, a aquisição das termelétricas é uma clara oportunidade de expandir suas atividades no setor elétrico. Por meio da sua controlada Âmbar Energia, o grupo já possui uma robusta infraestrutura de geração, com usinas térmicas em diversas regiões do Brasil, como Uruguaiana, Cuiabá e Candiota.
Este novo aporte de capacidade solidifica ainda mais a posição da J&F como um player relevante na matriz energética nacional, incluindo sua participação na Eletronuclear, que opera as usinas nucleares de Angra 1, Angra 2 e Angra 3.
Reposição de Rota para a Bolognesi
O grupo Bolognesi, por sua vez, vê a venda dos ativos térmicos como parte essencial de um processo de reorganização estratégica. Desde o início de sua trajetória no setor elétrico, a companhia tem demonstrado um compromisso crescente com o mercado de energia renovável.
Em nota oficial, a Bolognesi confirmou a celebração do acordo, enfatizando sua visão de futuro:
“A operação integra processo regular de gestão e reciclagem de ativos, e faz parte de uma estratégia do grupo de reposicionamento de portfólio em geração de energia limpa. A companhia permanece comprometida com o desenvolvimento de seus empreendimentos e com a ampliação de sua atuação no mercado de geração de energia elétrica”
Atualmente, a Bolognesi desenvolve uma hidrelétrica e possui sete Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) no Rio Grande do Sul, além de dois parques eólicos no Rio Grande do Norte. A estratégia futura inclui investimentos em novos projetos e uma possível participação em leilões de PCHs e de baterias, que poderão ser integradas aos seus parques eólicos.
Detalhes das Usinas Envolvidas
A negociação abrange a totalidade das ações de seis Sociedades de Propósito Específico (SPEs). Entre elas, destacam-se a Borborema Energética (169,08 MW), em Campina Grande (PB), com operação suspensa pela Aneel para manutenção, e a Maracanaú Geradora de Energia (168 MW), no Ceará, também com operação suspensa e sem contratos vigentes.
A Central Energética Palmeiras (175,56 MW), em Goiás, está inoperante, enquanto a Termelétrica Pernambuco III (200,79 MW), em Igarassu (PE), segue em operação comercial. As usinas Termopower V e VI (200,8 MW cada), localizadas no Pernambuco e na Paraíba, estão em fase de desenvolvimento, com outorgas que haviam sido revogadas. É importante notar que várias dessas usinas participaram do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) em março, mas não obtiveram sucesso.
O Alcance da Âmbar Energia
A Âmbar Energia, braço da J&F no setor elétrico, já opera um extenso parque gerador. Seus ativos térmicos incluem complexos como os do Amazonas, que somam 1.559,50 MW. A holding também está expandindo sua atuação em outros segmentos, como a recente aprovação do Cade para a aquisição da Roraima Energia.
Essa transação inclui termelétricas em Roraima, como Distrito, Floresta e Monte Cristo, com uma potência outorgada de 305 MW, reforçando o compromisso do grupo com a diversificação e o fortalecimento de sua infraestrutura energética nacional.
A movimentação entre J&F e Bolognesi sinaliza uma dinâmica intensa no setor elétrico brasileiro. Enquanto a J&F consolida e expande sua base de geração térmica, a Bolognesi reafirma seu direcionamento estratégico rumo à energia limpa e sustentável, buscando novas fronteiras no desenvolvimento de PCHs e parques eólicos. Este realinhamento de portfólios reflete a complexa, mas necessária, transição energética do país, com grandes grupos buscando otimizar suas operações e se adaptar às demandas futuras do mercado.






















