Com foco em expansão, a ISA Energia sinaliza interesse nos próximos leilões de reserva de capacidade para baterias, destacando a relevância estratégica da exigência de conteúdo local no primeiro certame.
A ISA Energia está se preparando para disputar os próximos leilões de reserva de capacidade na forma de potência (LRCap), voltados para sistemas de armazenamento de energia. A companhia, que já possui um ativo de 30 MW em operação em São Paulo, analisa cuidadosamente o desenho dos dois certames previstos para dezembro de 2026.
A expectativa do mercado gira em torno da divisão dos leilões: o primeiro priorizará a indústria nacional com regras de conteúdo local, enquanto o segundo será aberto a equipamentos de qualquer origem. Para a diretoria da ISA Energia, o certame inicial surge como uma oportunidade mais robusta, uma vez que a incerteza sobre o volume total de potência a ser leiloado pode levar à concentração das contratações já na primeira etapa.
Perspectivas sobre o modelo de contratação
O diretor-executivo de Projetos da ISA Energia Brasil, Dayron Urrego, analisou o modelo de remuneração proposto, baseado na disponibilidade do ativo. Ele pontuou que, embora a arbitragem de preços pudesse ser uma fonte adicional de receita, o formato atual é mais seguro para as transmissoras.
“A arbitragem poderia ser uma fonte de receita, mas também traz um risco para o empreendimento. Na minha opinião, e acho que de forma geral a opinião das transmissoras, esse modelo de disponibilidade é melhor porque tira esse risco da arbitragem.”
Durante a cerimônia de energização do projeto Piraquê, que conecta Minas Gerais ao Espírito Santo, autoridades do MME (Ministério de Minas e Energia) confirmaram a intenção de realizar as licitações ainda em 2026. No entanto, a expectativa é que os contratos efetivos comecem a ganhar corpo apenas a partir de 2027, dado o rigoroso processo de validação junto à ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica).
Vantagem competitiva e know-how operacional
Para a ISA Energia, o histórico de implementação de projetos de armazenamento é um diferencial. A empresa utilizou sua experiência na subestação de Registro (SP) como exemplo de agilidade e eficiência técnica, especialmente no que tange ao processo de augmentation — a técnica de reposição da capacidade das baterias ao longo do tempo.
O executivo ressaltou que a falta de familiaridade de novos players com os custos operacionais reais pode distorcer a precificação das ofertas. Segundo Urrego, a companhia está em uma posição privilegiada por dominar não apenas a execução, mas a operação cotidiana do sistema, fator considerado crucial para a viabilidade de longo prazo desses ativos.






















