Intersolar Nordeste consolida o Ceará como polo de transição energética e hub digital. O evento Intersolar Brasil Nordeste 2026 reuniu especialistas para discutir o futuro da energia renovável e a integração com o setor digital, destacando o potencial do Nordeste brasileiro.
Especialistas reunidos em painel sobre data centers na região Nordeste apontaram que a combinação entre energia renovável e conectividade internacional posiciona o Nordeste como uma nova fronteira para investimentos digitais. Um dos temas centrais abordados foi o armazenamento de energia, visto como uma solução crucial para o “curtailment”, fenômeno que obriga usinas, especialmente solares e eólicas, a reduzir sua geração mesmo em condições ideais. Isso ocorre devido a gargalos na transmissão de energia limpa, evidenciando a necessidade urgente de investimentos em infraestrutura, armazenamento e novos modelos de consumo.
O secretário do Desenvolvimento Econômico do Ceará, Fábio Feijó, ressaltou a importância de transformar a energia em valor econômico, afirmando que o Ceará, ao investir em data centers, está convertendo a energia do sol e do vento em alto valor agregado.
O Ceará demonstra um potencial estratégico para liderar o movimento de investimentos digitais, contando com 16 cabos submarinos, um novo em implantação, baixa latência e um elevado potencial energético. O secretário detalhou que o estado possui um potencial solar de 643 GW, eólico onshore de 94 GW, offshore de 117 GW e híbrido de 137 GW. Essa base sólida é fundamental para sustentar grandes infraestruturas digitais com energia limpa.
Fábio Feijó também destacou que essa articulação impulsiona o desenvolvimento de soluções em inteligência artificial e tecnologia, enfatizando a essencialidade da colaboração entre o setor público, empresas e a academia para converter esse potencial em resultados concretos para a população.
O avanço da inteligência artificial generativa foi identificado como um dos principais vetores do crescimento exponencial da demanda por dados. Atualmente, a capacidade mundial instalada de data centers já supera 120 GW. No Brasil, o setor está em franca expansão, com mais de 600 MW em operação. As projeções indicam que, até 2031, o setor de data centers pode atrair até R$ 92 bilhões em investimentos. Os participantes do evento também enfatizaram que os data centers atuam como verdadeiros catalisadores de ecossistemas digitais.
“Um data center sozinho não serve para nada. Ele precisa estar inserido em um ecossistema robusto”, afirmou Tito Costa, diretor de receitas da Tecto Data Centers.
A interdependência entre energia e tecnologia foi reforçada por Jurandir Picanço, consultor de energia da FIEC, figura celebrada por sua vasta experiência de 60 anos no setor. Picanço destacou que o armazenamento de energia viabiliza a expansão das fontes renováveis, enquanto os data centers, por sua vez, se consolidam como grandes consumidores dessas energias limpas, formando um ciclo integrado de desenvolvimento.
“A energia solar, foco do congresso, é a fonte de energia que mais cresce no mundo todo”, ressaltou Picanço.
Entre os benefícios associados aos data centers estão a melhoria da infraestrutura digital, redução de latência, maior velocidade no acesso a dados e suporte a tecnologias como IA, IoT e big data, com impactos diretos na produtividade econômica.
O evento reuniu mais de 60 empresas em 7.500 m², gerando conexões e capacitação técnica, reforçando o protagonismo do Nordeste, responsável por mais da metade da energia solar do país, e consolidando o Ceará como hub estratégico da economia digital e da transição energética.






















