A iniciativa “Sim, elas existem!” reabre inscrições para formar um banco de talentos femininos qualificados, visando ocupar posições estratégicas de liderança no setor de energia brasileiro.
O setor de energia, historicamente marcado por uma predominância masculina em postos de comando, enfrenta um novo movimento para romper o chamado “teto de vidro”. A terceira edição do projeto Sim, elas existem! deu início ao processo de captação de indicações de mulheres altamente capacitadas para assumir funções de alto escalão na administração pública federal. O objetivo é claro: municiar os candidatos à Presidência da República com uma lista robusta de profissionais aptas, eliminando a justificativa da falta de quadros femininos qualificados.
A iniciativa, que nasceu da colaboração entre nomes de peso do segmento, funciona como uma vitrine de competência técnica. Com o período de inscrições aberto até o dia 20 de julho, o projeto submete cada candidata a critérios rigorosos de elegibilidade, alinhados às exigências reais para a ocupação de cargos públicos de confiança e funções estratégicas em agências reguladoras.
Critérios rigorosos e profissionalismo
Para garantir a seriedade do processo, as indicadas devem comprovar idoneidade e uma trajetória profissional sólida. As exigências variam conforme o cargo, mas incluem requisitos como anos de experiência em posições de direção, titulação acadêmica avançada ou histórico comprovado em desenvolvimento de liderança.
A cofundadora da iniciativa, Renata Isfer, reforçou que o projeto busca combater a invisibilidade feminina no debate sobre ocupação de pastas estratégicas.
“A ideia principal da lista é levar para os presidenciáveis para não vir de novo toda aquela história de ‘não tem ministra porque não tem mulher’. A gente precisa de mulheres nos principais [ministérios]”
Um diagnóstico de desigualdade na transição
A necessidade de ações como a do Sim, elas existem! torna-se evidente diante dos números globais. Embora a transição energética tenha impulsionado recordes de empregos no setor, a participação feminina permanece estagnada. Dados da Irena revelam que, apesar do crescimento da indústria de renováveis, a presença de mulheres em cargos de conselho ou executivos de alto nível ainda enfrenta barreiras estruturais significativas, girando em torno de 19%.
Ao coordenar o esforço de visibilidade, nomes como Fernanda Delgado, CEO da Abihv, e as idealizadoras Agnes da Costa e Renata Isfer, buscam mudar a narrativa sobre o setor. O sucesso das edições anteriores — que saltou de 193 mulheres em 2018 para cerca de 400 em 2022 — demonstra uma força de trabalho crescente e pronta para liderar a pauta de sustentabilidade no país.
O impacto a longo prazo desta iniciativa pretende transformar o cenário político-energético. Ao entregar o compilado de talentos aos presidenciáveis, o projeto não apenas oferece uma solução pragmática para a equidade, mas também cobra responsabilidade de quem ocupará a cadeira mais alta da República. O futuro da energia, marcado pela transição para fontes limpas, também exigirá uma liderança mais plural e representativa para enfrentar os desafios estratégicos que estão por vir.






















