Setor de energias renováveis articula agenda junto aos presidenciáveis para garantir a transição energética brasileira, pressionando por um cronograma oficial de descarbonização e regulação de marcos legais.
Um grupo formado por mais de 20 entidades e empresas do setor de energia limpa iniciou, nesta quarta-feira (27), em Brasília, uma ofensiva estratégica para incluir o debate sobre a sustentabilidade no centro da campanha eleitoral de 2026. A iniciativa busca compromissos concretos dos candidatos à Presidência para que o Brasil acelere o afastamento dos combustíveis fósseis, atendendo à crescente demanda de grandes consumidores, como os centros de processamento de dados voltados à inteligência artificial.
O documento, que será entregue formalmente após a oficialização das chapas presidenciais, estabelece três pilares fundamentais para o futuro do país: a consolidação de um mapa do caminho para a eletrificação, a resolução dos gargalos em transmissão e armazenamento, e a sinergia entre políticas industriais e energéticas. O objetivo central é transformar o potencial renovável brasileiro em uma vantagem competitiva duradoura.
A urgência por um cronograma vinculante
De acordo com Natália Oliveira, representante da Global Renewables Alliance (GRA) para a América Latina, a meta é elevar a transição energética ao patamar de prioridade política nacional.
“O Brasil reúne condições únicas para transformar energia renovável em competitividade industrial, atração de investimentos, geração de empregos e segurança energética. As eleições de 2026 representam uma oportunidade importante para conectar essas vantagens ao projeto de desenvolvimento que o país deseja construir para as próximas décadas”
A proposta de um mapa do caminho surgiu originalmente sob o governo Lula durante a COP30, mas perdeu fôlego devido a divergências internas na Esplanada dos Ministérios. Sem consenso sobre o ritmo de redução da dependência de petróleo, gás e carvão, o projeto corre o risco de ser adiado para a próxima gestão presidencial.
Marcos legais e o desafio dos subsídios
Além do plano de transição, o setor alerta para a morosidade na implementação de leis fundamentais aprovadas recentemente. Medidas ligadas ao Combustível do Futuro, ao mercado de carbono, ao hidrogênio de baixo carbono e ao incentivo de parques eólicos offshore ainda aguardam decretos regulamentadores para saírem do papel e atraírem capital de forma efetiva.
O setor também critica o atual desequilíbrio nos incentivos financeiros. Dados apresentados pelas organizações revelam que, atualmente, os subsídios aos combustíveis fósseis são mais de duas vezes superiores aos destinados às fontes limpas. A demanda das entidades é clara: a criação de metas públicas e um cronograma vinculante que promova um redirecionamento inteligente dos recursos públicos, assegurando uma transição progressiva, segura e sustentável para a matriz energética nacional.





















