O Ibama manteve restrições à operação da hidrelétrica de Jirau, exigindo mais estudos antes de autorizar a mudança no nível do reservatório diante dos riscos de seca severa.
A operação da Usina Hidrelétrica Jirau, localizada no rio Madeira, continuará seguindo as regras atuais durante o período de estiagem de 2026. O Ibama decidiu, em posicionamento recente, adiar a autorização para a implementação da chamada “Cota 90 m Constante”, exigindo que a concessionária apresente resultados de testes em curso e documentos técnicos complementares antes de qualquer alteração estrutural no manejo do reservatório.
A decisão do órgão ambiental espelha a cautela já demonstrada em 2025, quando a empresa fez um pedido semelhante. O cenário é de alerta máximo: tanto a ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico) quanto o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) monitoram de perto os impactos de um possível novo episódio de El Niño, que pode comprometer as chuvas na região Norte até 2027.
Pressão sobre os recursos hídricos
Embora os níveis de vazão atuais estejam dentro da média histórica, a bacia do Madeira já iniciou seu ciclo de baixa, o que coloca em foco a gestão da água para múltiplos usos. A ANA solicitou esclarecimentos detalhados sobre como a usina planeja operar, temendo que a escassez de precipitação provoque déficits graves que afetem tanto a geração de energia quanto atividades vitais para a região, como o transporte fluvial.
A manutenção do modelo de operação atual é uma medida de cautela necessária frente à instabilidade climática, exigindo que a Jirau Energia comprove que o aumento do armazenamento não prejudicará o fluxo mínimo essencial para o ecossistema e para a logística regional.
Argumentos e exigências técnicas
Do lado da concessionária, o argumento é que o licenciamento da “Cota 90 m Constante” é fundamental para ampliar a capacidade de regularização da usina. Atualmente, o sistema exige um esvaziamento gradual do reservatório na seca, o que, segundo a empresa, limita o armazenamento de água para garantir a produção constante quando a afluência do rio cai abaixo dos níveis mínimos de outorga.
O ONS, contudo, mantém uma postura rigorosa, exigindo evidências de que a usina conseguirá cumprir a vazão mínima remanescente de 3.240 m³/s a jusante da barragem. Este volume é considerado inegociável, pois garante o transporte de combustíveis e o abastecimento das comunidades locais.
O impasse sobre a operação de Jirau reflete os desafios crescentes do setor elétrico brasileiro em conciliar a geração de energia renovável com a segurança hídrica em um contexto de eventos climáticos cada vez mais extremos. O próximo passo será a análise criteriosa, por parte do Ibama, dos novos dados que a concessionária deve apresentar para tentar viabilizar a mudança no regime do reservatório.





















