O custo operacional das usinas térmicas no Sistema Interligado Nacional recuou 24% em junho, enquanto o despacho por mérito econômico ganhou protagonismo na matriz energética brasileira.
O mês de junho trouxe um alívio financeiro para a operação do Sistema Interligado Nacional (SIN). De acordo com os dados mais recentes do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), os gastos com a geração termelétrica somaram R$ 674 milhões, uma queda expressiva de 24% quando comparado ao mês anterior.
A redução reflete um cenário de gestão mais eficiente dos recursos energéticos. Embora o volume financeiro total tenha diminuído, a composição desses custos sofreu alterações significativas, evidenciando uma mudança no perfil de acionamento das usinas dentro da rede nacional.
Crescimento do despacho por mérito
O destaque do mês foi o avanço do despacho por ordem de mérito, que totalizou R$ 363 milhões — um aumento de R$ 106 milhões frente a maio. Esse mecanismo é acionado pelo ONS quando as usinas se tornam a opção mais barata disponível para suprir a demanda, considerando variáveis como o Custo Marginal de Operação (CMO) e as condições dos reservatórios.
Em contrapartida, as despesas com inflexibilidade — que obrigam usinas a operar independentemente do custo, devido a contratos de combustível ou exigências técnicas — despencaram R$ 295 milhões, totalizando R$ 246 milhões em junho.
“O aumento do Custo Marginal de Operação foi o fator determinante para a elevação de R$ 37 milhões nos custos de unit commitment durante o período analisado”, aponta o boletim técnico do ONS.
Intercâmbio internacional e equilíbrio do sistema
Além da gestão interna, o setor termelétrico brasileiro manteve uma presença estratégica nas fronteiras. O Brasil exportou energia para a Argentina durante todos os dias de junho e para o Uruguai ao longo de 19 dias. Essa operação gerou uma receita estimada de R$ 619 milhões para os agentes do setor, reforçando a relevância do parque térmico na segurança energética regional.
É importante ressaltar que essa receita não se confunde com os custos de operação do SIN, que são destinados a garantir o fornecimento contínuo aos consumidores brasileiros. O balanço do ONS confirmou que, durante o mês, não houve a necessidade de exportar Energia Vertida Turbinável (EVT).
A redução nos custos operacionais sinaliza uma transição para um modelo mais otimizado, onde o despacho térmico segue a lógica da viabilidade econômica. Para os próximos meses, o monitoramento das condições hidrológicas será decisivo para manter a trajetória de eficiência observada em junho e evitar pressões sobre o CMO.























