Estudo do IAC revela acentuada variação de temperatura em São Paulo, com mínimas surpreendentes registradas em 2020 e anos recentes.
Um estudo recente do Instituto Agronômico (IAC-APTA) aponta para uma notável variabilidade térmica no estado de São Paulo nos últimos 15 anos, com um destaque para quedas significativas nas temperaturas mínimas a partir de 2020. Esses dados serão apresentados em um congresso internacional na Itália, evidenciando a importância da pesquisa agrometeorológica brasileira.
A pesquisa, que abrange dados de temperatura e volume de chuvas entre 2000 e 2025, revela um cenário climático dinâmico no estado. A amplitude de altitude em São Paulo, que varia de zero metros no litoral a cerca de 1.800 metros nas regiões serranas, é um dos fatores cruciais que explicam essa diversidade climática e a variabilidade térmica observada.
Análise Detalhada dos Dados
O estudo, intitulado “Análise termopluviométricos do Estado de São Paulo, de 2000 a 2025: Mais de duas décadas de dados climáticos”, foi realizado pela pesquisadora do IAC, Angelica Prela Pantano, em coautoria com a cientista Jane Maria Carvalho Silveira. Os dados se concentram nas variações ocorridas durante o mês de julho, ao longo do período analisado.
A partir de 2020, observou-se uma acentuada queda nas temperaturas mínimas em diversas localidades paulistas, quando comparadas às duas décadas anteriores. Um exemplo notório foi em Auriflama, onde os termômetros registraram uma queda drástica de 15,44°C para 1,3°C. Outras cidades como Capivari, Limeira e Tatuí também apresentaram quedas expressivas, sinalizando um inverno mais rigoroso em 2021. A cientista Angelica Prela Pantano comenta:
“Já no ano passado, o inverno trouxe temperaturas mínimas mais baixas, indicando um declínio. Essas quedas foram registradas também na região Noroeste considerada como uma região quente do Estado de São Paulo.”
A região Sul do estado registrou as menores temperaturas mínimas, enquanto a Serra do Mar e o Vale do Ribeira apresentaram os maiores volumes de precipitação. No entanto, as pesquisadoras ressaltam que, apesar dos períodos pontualmente mais frios, as médias mínimas de temperatura não necessariamente caíram de forma contínua.
Rede de Monitoramento Ampliada e Crucial
A extensa rede de estações meteorológicas mantidas pelo IAC tem sido fundamental para a realização dessas pesquisas. Nos últimos 16 anos, o número de estações meteorológicas automáticas no estado de São Paulo mais que triplicou, saltando de aproximadamente 70 em 2010 para 230 atualmente. Esse crescimento permitiu um monitoramento mais abrangente e detalhado das condições climáticas em diversas regiões do estado.
“Importante salientar que com o passar dos anos, o maior número de estações meteorológicas possibilitou ampliar o monitoramento para outros municípios paulistas e com melhores sensores. Esses registros só são possíveis devido à expansão dessa rede ao longo do período”, afirma a pesquisadora Angelica.
Esses dados históricos e a capacidade de monitoramento contínuo do IAC, que possui um dos mais antigos e completos bancos de dados climáticos do Brasil, são essenciais para a tomada de decisões no campo da agricultura e para ações de segurança pública. As informações agrometeorológicas auxiliam agricultores na elaboração de zoneamentos agrícolas e seguros rurais, enquanto nas cidades, os dados apoiam a Defesa Civil em ações de prevenção durante períodos de seca e enchentes.
O evento na Itália, que coincide com o 139º aniversário do IAC, reforça a relevância internacional das pesquisas desenvolvidas pela instituição e sua contribuição para o entendimento das mudanças climáticas e seus impactos.






















