A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apresentou um plano de R$ 5,7 bilhões para expandir a rede de transmissão no Ceará e Piauí, viabilizando 4 GW para indústrias e data centers.
A busca pela expansão da infraestrutura elétrica no Nordeste brasileiro deu um passo decisivo com a divulgação do novo estudo da EPE (Empresa de Pesquisa Energética). O órgão propõe um investimento bilionário para suprir a demanda represada por energia em polos estratégicos, como o Pecém (CE) e Parnaíba (PI), locais que se tornaram o epicentro de grandes projetos industriais e de tecnologia.
O cenário atual aponta para um gargalo significativo: pedidos de acesso à Rede Básica que vinham sendo negados por falta de capacidade no sistema. Com o objetivo de destravar até 4 GW de potência para atender a novas plantas de hidrogênio verde e data centers, o plano de expansão desenhado pelos especialistas oferece uma alternativa modular, evitando que investimentos maciços sejam realizados sem a garantia da demanda efetiva.
Uma estratégia de expansão escalonável
Diferente de modelos de infraestrutura rígidos, a proposta da EPE divide o aporte de R$ 5,68 bilhões em fases distintas. A etapa inicial, orçada em R$ 1,09 bilhão, tem o horizonte de 2032. Os R$ 4,59 bilhões restantes serão liberados conforme a progressão e a confirmação de contratação de carga pelos agentes do setor.
Essa abordagem técnica visa mitigar o risco de ociosidade das linhas de transmissão, garantindo que o SIN (Sistema Interligado Nacional) evolua conforme o ritmo real de instalação das novas indústrias. A espinha dorsal dessa solução será a construção da subestação Pecém IV, que funcionará como um hub central para integrar os ativos.
“A solução escalonada foi desenhada para reduzir o risco de ociosidade da rede, já que data centers e projetos de hidrogênio ainda dependem de ritmo de implantação, viabilidade econômica e contratação efetiva de acesso ao sistema.”
Monitoramento e segurança do sistema
O estudo, que analisou 12 alternativas diferentes, priorizou a eficiência técnica e o menor custo global. As obras previstas compreendem cerca de 1.848 km de linhas de transmissão em 500 kV, conectando pontos críticos entre o Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí. Embora o projeto garanta estabilidade para uma carga de 4 GW, os técnicos da EPE alertam para a necessidade de estudos específicos para cada novo empreendimento conectado.
De acordo com as simulações, o sistema apresentou comportamento robusto frente a diversas contingências. No entanto, perdas súbitas de blocos de carga superiores a 2 GW exigem atenção especial, com a possibilidade de medidas mitigadoras para evitar sobretensões ou perda de sincronismo em unidades industriais de grande porte já operantes na região, como a siderúrgica local.
Este movimento antecipa parte da necessidade energética da região antes da entrada do Bipolo Nordeste II, prevista para 2034. Com a nova Pnast (Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão) em vigor, a EPE espera que a sinalização clara de expansão atraia novos investidores com maior segurança jurídica, consolidando o Nordeste como um hub de energia renovável e cargas eletrointensivas de alto valor estratégico para a transição energética do Brasil.






















