Empresas espanholas lideram leilão de transmissão com deságio médio de 50,10%.
O segundo leilão de transmissão de 2026, promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), registrou um expressivo deságio médio de 50,10%. O certame, realizado nesta sexta-feira (30 de outubro), definiu a contratação de uma Receita Anual Permitida (RAP) de cerca de R$ 811,1 milhões, representando uma economia considerável frente ao teto estabelecido de R$ 1,63 bilhão.
A forte participação e o sucesso de grupos espanhóis foram o grande destaque da disputa. As empresas de origem espanhola ou com controle acionário da Espanha arremataram sete dos oito lotes ofertados, demonstrando a pujança desses players no setor de infraestrutura energética brasileiro.
Celeo Redes se destaca com maiores investimentos
A espanhola Celeo Redes emergiu como a principal vencedora em termos de volume de investimentos. A empresa sagrou-se vitoriosa em dois lotes, totalizando R$ 4,87 bilhões em investimentos previstos.
O lote 4, o maior do leilão, foi arrematado pela Celeo com uma RAP de R$ 377,09 milhões, um deságio de 50,55% sobre o valor máximo. Este empreendimento ambicioso contempla a instalação de 1.167 quilômetros de linhas de transmissão em Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná, além de 3.600 MVA de capacidade de transformação.
A Celeo também garantiu o lote 8, em Rondônia, com um deságio de 48,02% e uma RAP de R$ 66,664 milhões. O projeto em Rondônia envolve R$ 753,18 milhões em investimentos para a instalação de três compensadores síncronos na subestação Coletora Porto Velho.
Cymi e Neoenergia também com conquistas relevantes
A Cymi Construções obteve sucesso em dois lotes, os de número 3 e 5, somando R$ 2,05 bilhões em investimentos.
No lote 3, em São Paulo, a empresa ofertou a maior redução percentual do certame, um deságio de 57,08%, com uma RAP de R$ 78,70 milhões.
Já o lote 5, focado na Região Metropolitana de Curitiba, foi vencido pela Cymi após uma acirrada disputa a viva-voz, com uma RAP de R$ 96,4 milhões e um deságio de 46,36%.
A Neoenergia, controlada pela espanhola Iberdrola, também arrematou dois empreendimentos, com investimentos totais de R$ 1,16 bilhão.
No lote 1, na Bahia, a companhia sagrou-se vencedora após 150 lances em uma disputa a viva-voz, com uma RAP de R$ 59,85 milhões e deságio de 51,21%.
O lote 7, na Paraíba, também foi vencido pela Neoenergia, com RAP de R$ 68 milhões e deságio de 38,55%, visando atender o Sertão do estado com R$ 665,32 milhões em investimentos.
Cox Brasil e EDP completam o quadro de vencedores
A Cox Brasil levou o lote 6, no Paraná, com um deságio expressivo de 53,46% e uma RAP de R$ 37,85 milhões, correspondendo a R$ 480,25 milhões em investimentos para as regiões Oeste e Sudoeste do estado.
O lote 2, com instalações na Bahia e em Goiás, ficou com a portuguesa EDP, que apresentou uma RAP de R$ 26,53 milhões, representando um deságio de 53,29% e prevendo R$ 316,97 milhões em investimentos para o Nordeste de Goiás.
Perspectivas e o futuro da transmissão de energia
O leilão, realizado na B3 em São Paulo, utilizou o critério de menor RAP. Os projetos licitados abrangem sete estados, com um total de 1.866 quilômetros de novas linhas de transmissão e a continuidade de 483 quilômetros de linhas existentes.
Os contratos terão duração de 30 anos e os prazos de implantação variam entre 42 e 60 meses. A Aneel estima a geração de cerca de 20 mil empregos diretos e indiretos durante a fase de construção, um impacto significativo na economia local.
O resultado deste leilão reforça a atratividade do setor de energia brasileiro para investidores internacionais e a consolidação de grandes players no mercado.
A disputa acirrada e os altos deságios demonstram a busca por eficiência e a competitividade no desenvolvimento da infraestrutura de transmissão, essencial para a segurança e a expansão do sistema elétrico nacional.











