Em meio à crise do petróleo, países da Pan-Amazônia ignoram conferência de Santa Marta

Em meio à crise do petróleo, países da Pan-Amazônia ignoram conferência de Santa Marta
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Em meio à escalada do preço do petróleo, países da Pan-Amazônia demonstram desinteresse pela conferência de Santa Marta, focada na transição energética. Apenas Brasil, Guiana Francesa e o país sede confirmaram presença, enquanto o silêncio de outras nações contrasta com o protagonismo da sociedade civil.

Enquanto o barril de petróleo atinge patamares elevados, impactando a economia global, os países da Pan-Amazônia parecem alheios ao chamado para a Primeira Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis em Santa Marta, Colômbia. Até o momento, apenas Brasil e França (Guiana Francesa), além da nação anfitriã, confirmaram participação entre os nove países e territórios que compartilham o bioma.

O encontro, que visa à definição de metas para a COP31, busca capitalizar a crise energética como um impulso para a expansão de energias renováveis, mas enfrenta um notável desinteresse diplomático regional. Peru, Bolívia, Venezuela, Equador, Guiana e Suriname permanecem em silêncio sobre suas intenções de comparecer.

Este silêncio governamental coincide com a ação da sociedade civil, que, por meio da Cúpula dos Povos, apresenta um plano para o fim dos combustíveis fósseis na região. Renata Prata, do Instituto Arayara, aponta que essa ausência diplomática reflete um impasse histórico: a transição energética justa ainda gera desconfiança em países em desenvolvimento, especialmente na Pan-Amazônia, onde o extrativismo e as economias baseadas em fósseis são centrais.

O reconhecimento global da necessidade de abandonar os combustíveis fósseis é recente, incorporado explicitamente apenas na COP28, após décadas de debates, apesar do consenso científico. A janela de oportunidade exige elaboração, especialmente quanto à temporalidade e às responsabilidades diferenciadas, um ponto delicado para nações amazônicas que ainda associam desenvolvimento à exploração de recursos naturais.

Sociedade civil assume protagonismo diante da ausência governamental

Mesmo com a ausência de representantes formais de alguns países, a conferência em Santa Marta contará com a presença significativa da sociedade civil, com mais de 2,5 mil organizações credenciadas. Paralelamente, ocorrerá a Cúpula Popular por um Futuro Livre de Combustíveis Fósseis, replicando o modelo da COP30. O objetivo é elaborar um “mapa do caminho” popular, que será apresentado em uma assembleia organizada pelo governo colombiano e, espera-se, considerado nas reuniões de alto nível. O resumo do evento refletirá os diálogos com as partes interessadas, buscando consolidar e fortalecer a aliança entre os países para acelerar a transição energética global.

A Primeira Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis é vista como um passo inicial crucial, com foco na COP31. O evento em Santa Marta almeja apresentar um documento com prioridades políticas e ações para a COP do Clima deste ano. A iniciativa de Santa Marta e o trabalho para traçar um caminho para longe dos combustíveis fósseis são vistos como respostas claras a um cenário mundial ameaçado por modelos dependentes de fósseis. O esforço busca desenhar mecanismos financeiros para uma transição justa, com a criação de um Fundo Global para a Transição Justa, que apoiaria países na redução do uso de petróleo sem prejudicar populações vulneráveis.

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Contexto geopolítico e desafios da região

A Guiana, membro-chave da CARICOM, vive um boom petrolífero, enquanto o Suriname, apesar de carbono-negativo, verá sua produção de petróleo offshore aumentar significativamente em 2028. O Equador enfrenta tensões comerciais com a Colômbia, com imposição de taxas e disputas no transporte de petróleo. A Venezuela, detentora das maiores reservas de petróleo do mundo, lida com sanções e tensões políticas que limitam seu acesso a mercados e investimentos.

Os nove países amazônicos formam uma “fronteira fóssil”, com um número expressivo de blocos de exploração de petróleo, muitos dentro da própria floresta. O Brasil concentra a maior parte desses blocos. A crise do petróleo torna a exploração na Pan-Amazônia mais lucrativa, intensificando a pressão por novas perfurações e acelerando potenciais impactos ambientais. Os preços do barril variam na região, mas a alta internacional pode aumentar receitas de exportação e, simultaneamente, encarecer combustíveis no mercado interno, pressionando o custo de vida.

Potências globais e a transição energética

Estados Unidos e China, os maiores emissores de gases de efeito estufa, não aceitaram os convites para a conferência. A ausência dessas potências, no entanto, é vista por alguns como uma oportunidade para um avanço mais direto, focando no “como” da transição energética, em vez de debater o “se”. A Iniciativa do Tratado sobre Combustíveis Fósseis critica a postura dos EUA, afirmando que nenhum país pode reter o progresso global. Experiências passadas, como as negociações sobre desarmamento nuclear, demonstram que iniciativas com baixa adesão inicial de peças-chave podem ser bem-sucedidas. O engajamento dos EUA pode vir também de governos subnacionais e alianças estaduais, ampliando o alcance político da transição.

A escalada recente nos preços globais de petróleo e gás, impulsionada por conflitos geopolíticos, pressiona cadeias produtivas e amplia a volatilidade em países dependentes de energia fóssil. O aumento do preço do barril eleva os custos de transporte, logística e parte da geração de energia, impactando também a produção de alimentos devido ao aumento no preço do gás natural, insumo para fertilizantes. Uma análise da 350.org estima perdas bilionárias para consumidores e empresas no primeiro mês da guerra no Irã, com impactos na inflação, emprego e segurança alimentar.

Na Pan-Amazônia, esse contexto torna a exploração de petróleo mais lucrativa, inclusive em áreas ambientalmente sensíveis, intensificando a pressão por novas perfurações e acelerando potenciais desmatamentos.

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