O fenômeno El Niño ameaça a segurança energética do Brasil, com risco iminente de secas na Região Norte, comprometendo a crucial geração de energia hidrelétrica e potencialmente elevando o custo da energia para os consumidores.
O cenário de energia limpa e sustentável no Brasil enfrenta um novo desafio com a projeção dos impactos do fenômeno El Niño. Especialistas do setor elétrico estão em alerta máximo para as possíveis consequências na geração de energia, especialmente nas estratégicas usinas hidrelétricas da Região Norte. A preocupação central reside na potencial redução das chuvas, que pode afetar diretamente o nível dos reservatórios e, por consequência, a capacidade de produção de eletricidade.
Em declaração de 17 de junho de 2026, Alexandre Zucarato, diretor do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), ressaltou a seriedade da situação durante o Enase. Ele destacou que usinas fundamentais como Santo Antônio, Jirau e Belo Monte, pilares para atender à demanda de energia em horários de pico, podem ter sua operação comprometida. Este cenário coloca em xeque a estabilidade do abastecimento e a manutenção de uma matriz energética predominantemente renovável.
Os Desafios do El Niño na Geração Hidrelétrica
O El Niño é conhecido por sua capacidade de alterar os padrões climáticos globais, e no Brasil, isso se traduz em um risco elevado de secas severas na porção norte do país. Para o setor elétrico, essa variação no regime hídrico é um fator crítico, pois diminui a disponibilidade de água para as turbinas das usinas hidrelétricas. A menor geração de energia proveniente de fontes limpas pode forçar o ONS a recorrer a alternativas mais caras e poluentes.
O Acionamento de Termoelétricas e o Impacto no Custo da Energia
Uma das principais consequências de um cenário de escassez hídrica é a necessidade de acionar as usinas termelétricas. Essas unidades, que geralmente utilizam combustíveis fósseis, representam um custo operacional significativamente mais alto e aumentam as emissões de carbono. A ativação das termoelétricas, embora garanta a segurança energética do país, impacta diretamente as tarifas de energia, elevando o custo da energia para consumidores e empresas, além de ir contra os princípios de uma matriz mais sustentável.
Medidas Preventivas e Monitoramento Constante
Para mitigar os riscos, o ONS já delineia estratégias preventivas. Uma das ações planejadas é a preservação de reservatórios estratégicos, como o de Itaipu e os localizados na Região Sul do país, com previsão de manutenção até setembro. Paralelamente, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) detém a prerrogativa de autorizar a geração de energia fora da ordem de mérito econômico, caso a situação exija medidas emergenciais para salvaguardar o suprimento nacional.
Historicamente, eventos intensos de El Niño têm pressionado as tarifas de energia através do sistema de bandeiras tarifárias, como indicado por dados do Poder360. Isso demonstra a vulnerabilidade do sistema a grandes variações climáticas e a importância de um planejamento robusto.
Resiliência e Futuro da Energia Sustentável
A ameaça do El Niño sublinha a importância de um sistema energético mais resiliente e adaptável às mudanças climáticas. As discussões e ações em curso destacam a necessidade de diversificação das fontes de energia limpa e sustentável, bem como de investimentos em tecnologias que possam garantir a segurança energética do Brasil, minimizando a dependência de um único tipo de geração. O monitoramento contínuo e a capacidade de resposta rápida do ONS e CMSE serão cruciais para navegar por este período desafiador e manter o país no caminho da sustentabilidade energética.























