O Brasil se prepara para uma transformação energética histórica: a eletrificação da frota e a expansão de data centers devem elevar o consumo elétrico nacional a 979 TWh até 2036.
A aceleração da transição energética no país deixou de ser uma promessa distante para se tornar uma meta concreta. Segundo o novo Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2036), colocado em consulta pública pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a demanda por eletricidade no Brasil deve crescer a uma taxa média de 3,4% ao ano na próxima década. O motor dessa mudança é a eletrificação da economia, que impacta desde o transporte até o processamento de dados.
O dado mais expressivo do levantamento é o salto previsto para a eletromobilidade. A expectativa é que o setor demande 15 vezes mais energia em 2036 do que em 2026, atingindo 15 TWh. Esse crescimento é alimentado pela popularização dos veículos elétricos e pelo fortalecimento da infraestrutura de recarga em todo o território nacional.
O avanço da eletromobilidade e novas demandas digitais
O cenário de eletrificação é corroborado pelos números do mercado automotivo. Em agosto, os veículos elétricos alcançaram 24,4% dos emplacamentos no Brasil, consolidando o país como o maior mercado de eletrificados da América Latina, com uma frota superior a 580 mil unidades. O PDE 2036 projeta que essa demanda será composta majoritariamente por veículos leves, mas com uma participação crescente de ônibus e caminhões movidos a eletricidade.
Paralelamente, a ascensão da economia digital coloca os data centers como protagonistas do consumo. A estimativa é que essas infraestruturas aumentem sua necessidade energética em dez vezes até 2036, saltando de 3 TWh para 30 TWh. Além disso, a produção de hidrogênio renovável deve começar a pressionar o sistema elétrico a partir de 2031, somando mais 3 TWh à carga nacional.
Desafios para a infraestrutura e cooperação global
A escala do investimento necessário para suportar essa demanda é monumental. Especialistas apontam que, além de novas fontes de geração, o foco deve recair sobre redes de transmissão e tecnologias de armazenamento, como baterias. A cooperação internacional tem sido fundamental para alinhar essas metas, como exemplifica a parceria entre a Global Renewables Alliance (GRA) e a Organização Latino-Americana e Caribenha de Energia (Olacde).
Bruce Douglas, CEO da GRA, pontua:
A discussão é sobre como nós podemos facilitar a troca das melhores práticas, estudos de caso e exemplos de ambos os projetos e políticas entre países da região, mas também com países de fora, para ajudar a acelerar o desenvolvimento da região.
Para atingir o objetivo de neutralidade de carbono, o setor precisará de um esforço conjunto que envolve não apenas a expansão da capacidade renovável, mas também o aprimoramento do arcabouço regulatório. O sucesso dessa transição exigirá investimentos bilionários e decisões estratégicas sobre quem arcará com os custos da estabilidade do sistema elétrico. Enquanto a COP31 se aproxima como um marco para essas discussões, o Brasil se posiciona como um dos protagonistas globais na busca por uma matriz energética mais limpa, resiliente e eficiente.
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