Crise energética global impõe desafios ao financiamento climático, com tensões geopolíticas e endividamento limitando recursos.
Líderes financeiros e representantes de 191 nações reúnem-se em Bangkok, na Tailândia, para as reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. O encontro, marcado pelas discussões sobre a crise energética mundial, lança luz sobre os obstáculos no avanço de medidas de financiamento climático na próxima COP31, que ocorrerá na Turquia em um mês.
A capital tailandesa, que se recupera de chuvas torrenciais com danos estimados em US$ 178 milhões, serve como cenário para discussões urgentes. Previsões de mais temporais reforçam a necessidade de ação imediata, especialmente para países em desenvolvimento que enfrentam uma dupla pressão: o crescente endividamento e a frequência de catástrofes climáticas, como a recente tragédia no Nepal.
A Sombra dos Combustíveis Fósseis nos Orçamentos
O orçamento global para a ação climática encontra-se sob forte escrutínio. A guerra no Oriente Médio e o consequente preço do barril de petróleo acima de US$ 100 impactam a segurança energética e desviam recursos. Países desenvolvidos lidam com altas taxas de juros, enquanto economias emergentes afundam em dívidas, com orçamentos nacionais cada vez mais comprometidos com subsídios energéticos.
Na Tailândia, o fundo de subsídio de combustível registrou um déficit de US$ 2,8 bilhões até setembro. A Indonésia estima precisar de US$ 5,9 bilhões adicionais para subsídios de energia, e a Malásia dobrou seus gastos mensais com gasolina e diesel para cerca de US$ 1,3 bilhão. No Brasil, a redução na arrecadação para controlar preços de combustíveis atingiu R$ 41 bilhões até outubro, com a previsão de novos subsídios custando R$ 15 bilhões até o fim do ano.
A economia global está sendo puxada em dois sentidos opostos: um choque negativo na oferta de energia e um choque positivo na demanda decorrente da IA – Kristalina Georgieva, Diretora-Geral do FMI.
Inflação, Juros e o Caminho Incerto da Transição
A diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, alertou que o aumento do custo de energia pressiona a inflação e freia o crescimento mundial. Essa realidade leva bancos centrais a elevarem juros, como o Federal Reserve nos EUA, ou a manterem cautela na redução das taxas, como o Banco Central do Brasil. As projeções de PIB global do FMI para 2026 e 2027 permanecem em torno de 3%, refletindo essa dinâmica.
O fenômeno do Super El Niño adiciona pressões inflacionárias e riscos à segurança alimentar. Ao mesmo tempo, o avanço da inteligência artificial (IA), embora promova crescimento, demanda quantias massivas de energia, exacerbando a tensão na oferta.
O Apelo por Financiamento Climático
O grupo G24, que representa países em desenvolvimento, destacou em comunicado a necessidade de financiamento com custos mais baixos e a intensificação da ação climática, especialmente para medidas de adaptação. O bloco pede a entrega pontual de pelo menos US$ 300 bilhões anuais em financiamento climático até 2035, conforme estabelecido na COP29.
Murat Kurum, ministro do meio ambiente da Turquia e presidente eleito da COP31, instou os governos a demonstrarem a mesma determinação em gastos de defesa no financiamento climático. A revisão do papel de organizações multilaterais como o Banco Mundial, que modificou metas relacionadas a créditos climáticos, reflete as complexidades e pressões atuais. A necessidade de energia acessível e renovável, mesmo diante da instabilidade dos mercados de fósseis, aponta para um caminho desafiador, mas essencial, na transição energética global.
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