Crescimento do aluguel por temporada eleva demanda de energia elétrica em até quarenta por cento

Light (Divulgação)
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A ascensão do aluguel por temporada sobrecarrega redes elétricas com demanda aumentada em até 40% em algumas regiões.

A expansão do mercado de aluguel por temporada, especialmente em destinos turísticos como o Rio de Janeiro, tem provocado um impacto notável na infraestrutura de distribuição de energia. A Light, concessionária que atende a 31 municípios fluminenses, incluindo a capital, identifica um aumento significativo na demanda de energia, que pode variar entre 20% e 40% em áreas com alta concentração de imóveis destinados a essa modalidade de hospedagem.

Este fenômeno desafia as projeções de consumo que historicamente foram baseadas em padrões residenciais. A dinâmica de ocupação e o uso intensivo de aparelhos elétricos, como ar-condicionado, em unidades alugadas por curtos períodos, sobrecarregam a rede de forma atípica, gerando preocupações sobre a estabilidade e o dimensionamento da infraestrutura existente.

Redes Elétricas Sob Pressão: Um Novo Cenário de Consumo

O gerente de Serviços Técnicos da Light, Bruno Almeida, relata que a distribuidora tem observado ocorrências incomuns na rede elétrica desde 2024. Esses incidentes, que vão além de problemas como o furto de cabos, indicam uma sobrecarga que as redundâncias da rede subterrânea não conseguem mais compensar totalmente.

Bruno Almeida afirmou:

Se antes tínhamos uma resiliência maior de ficar, por exemplo, três dos oito condutores funcionando e suportando tudo, hoje não temos mais certeza de que os três vão suportar.

Ele explica que o uso intensivo e simultâneo em apartamentos locados por temporada eleva a demanda de forma atípica, não configurando um uso indevido, mas sim um acréscimo não previsto nos modelos tradicionais de dimensionamento.

Desafios no Dimensionamento da Rede e Otimização de Custos

As regulamentações atuais, como a Regulamentação de Entrada de Consumo (Recon-BT), consideram fatores como o fator de demanda e o fator de diversidade. Estes fatores assumem que nem todos os aparelhos elétricos de uma residência são usados ao mesmo tempo, e que em um condomínio, nem todos os apartamentos estarão operando em sua capacidade máxima simultaneamente.

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Essa abordagem visa otimizar custos de infraestrutura, evitando investimentos excessivos que poderiam ser repassados aos consumidores. No entanto, o padrão de uso em hospedagens por temporada se assemelha mais ao de estabelecimentos hoteleiros, onde o consumo é calculado considerando picos de ocupação. A Light descobre a mudança nesse perfil de uso, na maioria das vezes, apenas quando ocorrem falhas na rede.

Esse acréscimo percentual é um fator que infelizmente influencia na interrupção. E, muitas das vezes, a Light não vai ter o conhecimento de que esse perfil de utilização mudou, por que a rede ali já está ligada. A gente vai descobrir na dor [quando surgem problemas na rede].

Embora não haja estatísticas oficiais que vinculem diretamente a mudança no uso da rede exclusivamente ao aluguel por temporada, a correlação entre o aumento da demanda e o crescimento desse modelo de negócio é clara para a distribuidora.

Projeções e Soluções para a Infraestrutura Energética

Para mitigar os impactos, Bruno Almeida sugere que os condomínios realizem avaliações sobre o perfil de uso das unidades e considerem o redesenho de projetos energéticos que atendam à realidade atual. A Light mantém um diálogo com construtoras para incorporar parâmetros energéticos mais precisos desde a concepção de novos empreendimentos.

A responsabilidade pelos custos de intervenções na rede pode variar, dependendo da magnitude da demanda solicitada e da necessidade de obras estruturantes. A distribuidora segue diretrizes regulatórias que definem quando os custos podem ser repassados aos novos consumidores ou absorvidos pela própria concessionária.

A análise do consumo de energia no Brasil mostra que o aumento da demanda no verão não é uma regra universal, variando conforme a região e as condições climáticas. Dados recentes da EPE indicam flutuações significativas no consumo residencial, evidenciando a complexidade em prever padrões energéticos em um cenário de mudanças climáticas e novos modelos de ocupação. A adaptação da infraestrutura elétrica a essas novas realidades é um desafio contínuo para o setor de energia.

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