CPFL defende estabilidade regulatória e antecipa alta demanda de data centers.
A CPFL Energia se posiciona favorável à manutenção do mecanismo de aversão ao risco, conhecido como CVAR, em 15/40. A empresa argumenta que essa diretriz é crucial para a estabilidade regulatória do setor elétrico, pois contribui para a preservação dos reservatórios e evita o acionamento de usinas térmicas fora da ordem de mérito. A decisão final sobre o parâmetro, que vigorará a partir de 2027, está nas mãos do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) e deve ser definida até o final de julho.
O vice-presidente de Operações de Mercado da CPFL, Vitor Fagali, ressaltou a importância da continuidade do atual modelo. Ele explicou que o CVaR foi implementado no início de 2025, e uma alteração iminente poderia gerar instabilidade em um cenário já complexo. Para Fagali, a formação de preços no mercado energético brasileiro é intrinsecamente desafiadora, e mudanças frequentes nas regras podem agravar a situação.
Crescimento e Desempenho da Geração
No primeiro trimestre de 2026, a CPFL registrou um aumento expressivo de 16,6% em sua geração total, alcançando 2.853 GWh. A maior parte dessa produção, 61,8%, provém de usinas hidrelétricas (UHEs), com um despacho 34,1% superior ao do ano anterior. As Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) também contribuíram, com 17,2% da geração e um aumento de 8,6% no despacho.
A forte performance das usinas hídricas foi essencial para compensar a redução na geração eólica (-12,3%, totalizando 585 GWh) e solar (-43,9%, com apenas 0,2 GWh). A empresa também observou um aumento no curtailment, a restrição de geração, que atingiu 20,4% no trimestre, contra 16,8% no mesmo período do ano anterior. Segundo a CPFL, um terço dessa redução na geração eólica se deve ao curtailment, enquanto os ventos menos favoráveis explicaram os outros dois terços.
Expectativas para o Leilão de Baterias
Durante teleconferência com acionistas, a diretoria da CPFL abordou a expectativa para o aguardado leilão de baterias. Apesar de as diretrizes ainda não terem sido divulgadas pelo Ministério de Minas e Energia (MME), a empresa manifestou otimismo. Vitor Fagali prevê que o certame ocorra ainda em 2026, mas reconhece a possibilidade de adiamento devido à demora na regulamentação. Independentemente do cronograma, a CPFL já se prepara para participar, com uma “expectativa muito alta” para o evento.
O presidente da companhia, Gustavo Estrella, destacou o papel fundamental do leilão de baterias para solucionar a intermitência do setor elétrico brasileiro, um dos principais desafios do país.
Alta Demanda em Data Centers
Um dos destaques do período foi o impressionante aumento de 23,9% no consumo de energia por data centers na área de concessão da CPFL. No primeiro trimestre de 2026, o setor consumiu 275 GWh, um salto de 52,7% desde 2023. Estrella ressaltou que os data centers já representam 8% de toda a classe comercial atendida pela distribuidora.
A projeção da CPFL é de que a demanda por energia no segmento de data centers continue em ascensão, impulsionada por projetos em desenvolvimento. No entanto, a empresa alerta para os desafios de conexão à rede, especialmente na infraestrutura de transmissão, indicando uma “demanda represada muito grande”.
Apesar do aquecimento em segmentos como data centers, o consumo total de energia na área de concessão da CPFL apresentou uma leve retração de 0,7% no primeiro trimestre de 2026, totalizando 20.116 GWh. A energia faturada representou 92% do total consumido.
Resultados Financeiros Robustos
A CPFL apresentou resultados financeiros sólidos para o primeiro trimestre de 2026. O lucro líquido cresceu 18,2% em um ano, alcançando R$ 1,9 bilhão. O Ebitda registrou R$ 3,9 bilhões, com um leve aumento de 0,2% na comparação anual. A receita operacional bruta avançou 9,3%, chegando a R$ 16,8 bilhões, enquanto a receita operacional líquida apresentou alta de 6,4%, totalizando R$ 11,3 bilhões. A distribuição foi o principal motor da receita, seguida por geração e gestão de energia, transmissão e serviços.
Em termos de perdas não técnicas, a CPFL reportou um índice de 9,76% no acumulado de 12 meses até março de 2026, mantendo o mesmo patamar do ano anterior e acima do limite estabelecido pela Aneel.























