O Operador Nacional do Sistema Elétrico limitou a geração de 16.001 MW de fontes renováveis no Nordeste durante a partida entre Brasil e Japão, superando a capacidade de grandes usinas.
O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) executou uma medida drástica de contenção energética na última segunda-feira (29.jun.2026). Durante o jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo, o sistema registrou um corte de 16.001 MW na geração de energia renovável no Nordeste. Para se ter uma ideia da dimensão, esse volume de energia suspensa ultrapassa a potência instalada de hidrelétricas gigantescas como Itaipu (14.000 MW) e Belo Monte (11.233 MW).
O fenômeno, conhecido no setor elétrico como curtailment, foi motivado por uma mudança atípica no perfil de consumo dos brasileiros. Durante o período da partida, o hábito de consumo residencial foi substituído por uma demanda concentrada em locais de aglomeração, alterando o escoamento habitual de energia pelo SIN (Sistema Interligado Nacional). Com a produção renovável, especialmente eólica e solar, operando em alta e a carga do sistema reduzida, o operador precisou limitar a geração para evitar instabilidades na rede.
Regulação e impactos no setor
O Nordeste, principal polo de energia limpa do Brasil, foi a região mais impactada, sofrendo restrições operacionais durante todo o decorrer do dia. Embora o curtailment seja uma ferramenta necessária para manter o equilíbrio de frequência e a segurança do sistema elétrico, a recorrência desses cortes preocupa investidores e desenvolvedores de parques de geração.
Atualmente, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) conduz um debate regulatório complexo para normatizar essas intervenções. Em pauta, a agência avalia critérios técnicos mais claros para a atuação do ONS e discute a viabilidade de modelos de ressarcimento para as geradoras que perdem receita quando o operador decide interromper a injeção de energia na rede.
Este episódio reforça a urgência de aprimorar a infraestrutura de transmissão e as políticas de gestão energética frente a um cenário de rápida expansão das energias renováveis, que seguem enfrentando o desafio de adequar sua oferta dinâmica à imprevisibilidade da demanda em momentos pontuais.





















