O centenário da Usina Henry Borden, em Cubatão, celebra um século de geração de energia e destaca o papel fundamental da sucessão de conhecimento na modernização do setor elétrico.
Em outubro, um dos pilares da infraestrutura energética de São Paulo atinge um marco histórico. A Usina Henry Borden, situada em Cubatão, completa 100 anos de operação ininterrupta. Mais do que celebrar a robustez de suas instalações, o centenário coloca em evidência o capital humano que garante a eficiência contínua do complexo.
A longevidade desta usina não seria possível sem a capacidade de adaptação às novas tecnologias. Ao longo das décadas, o desafio foi integrar processos de modernização de ponta sem comprometer a essência operacional, mantendo viva a expertise acumulada por diferentes gerações de trabalhadores que passaram pela EMAE (Empresa Metropolitana de Águas e Energia).
A tecnologia a serviço da longevidade
A modernização da Henry Borden exigiu uma reciclagem constante de seus colaboradores. Para veteranos da casa, como o supervisor de operação Luis Gustavo Salgado Aguiar, que integra os quadros da empresa desde 1996, a tecnologia não substituiu o conhecimento, mas exigiu uma evolução na forma de conduzir a energia.
“Com toda a modernização, tivemos que aprender uma nova forma de operar. Era um passo necessário para manter uma usina centenária preparada para o futuro”
Além da técnica, a usina fomenta um senso de comunidade. A convivência na Vila Residencial e o compartilhamento de vivências entre os turnos transformaram o ambiente de trabalho em um ecossistema de aprendizado mútuo, fortalecendo o orgulho de pertencer a uma instituição histórica.
O legado como ponte para o futuro
A transmissão de saberes é o diferencial que mantém a performance da usina hidrelétrica. Fernando Zaghi, que ingressou no complexo em 2014, destaca que a preservação do patrimônio é um compromisso ético entre os que já atuam no local e os novos ingressantes. Para ele, cuidar da infraestrutura é uma responsabilidade compartilhada que garante o legado das próximas décadas.
A renovação do quadro funcional é evidenciada pela trajetória de Wilson Alves Pereira. Aos 29 anos, o engenheiro mecânico, que começou sua jornada como mecânico de manutenção em 2018, agora coordena as operações. Sua ascensão reflete a política de valorização da formação técnica interna, aliada à visão de liderança para enfrentar os desafios do mercado de energia limpa.
O centenário da Henry Borden reafirma que a sustentabilidade de uma infraestrutura secular depende tanto da precisão dos equipamentos quanto da dedicação das pessoas. Ao olhar para o futuro, o complexo se consolida como uma referência de engenharia brasileira, pronta para continuar servindo o sistema elétrico com a mesma dedicação que marcou seu primeiro século de existência.
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