O consumo de energia no Brasil registrou alta de 2,1% em maio de 2026, impulsionado pelo dinamismo do setor comercial e residencial, enquanto a atividade industrial apresentou leve queda.
O mercado brasileiro de energia elétrica manteve sua trajetória de crescimento pelo segundo mês consecutivo. De acordo com a Resenha Mensal da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), o país atingiu a marca de 48.021 GWh em maio, um avanço significativo que reflete tanto o comportamento do consumidor quanto as variações climáticas observadas no período.
O destaque positivo ficou por conta do comércio, que registrou um aumento de 5,1% no consumo, sustentado por um varejo aquecido e pelo setor de serviços. O segmento residencial também seguiu a tendência de alta, crescendo 4,2% influenciado pelo aumento da renda das famílias e pelo uso intensivo de aparelhos de climatização, estimulado por temperaturas acima da média em grande parte do território nacional.
Dinâmica industrial e variações regionais
Apesar do desempenho positivo no consumo geral, a indústria destoou ao apresentar uma retração de 0,7%. O comportamento foi heterogêneo entre os 37 segmentos monitorados pela EPE. A metalurgia, um dos setores mais eletrointensivos, liderou as quedas, enquanto a extração de minerais metálicos e a indústria de alimentos conseguiram manter o saldo positivo, beneficiadas por produções específicas em estados como Pará, São Paulo e Rio Grande do Sul.
No cenário regional, o comportamento do consumo também foi distinto. O Centro-Oeste liderou a expansão nacional, com um salto de 4,6%, seguido pelo Sul, Sudeste e Norte. Em contrapartida, o Nordeste foi a única região a registrar recuo no uso de eletricidade, impactado por particularidades econômicas em estados como Alagoas.
A força do Mercado Livre de energia
O ACL (Ambiente de Contratação Livre) continua ganhando espaço no panorama energético brasileiro. Representando 45,8% de toda a energia consumida em maio, este segmento avançou 2,8% em volume de demanda. A migração de unidades consumidoras do Grupo A segue firme, um reflexo direto da abertura de mercado iniciada em 2024.
Sobre esse movimento constante de migração, a análise aponta uma mudança estrutural no setor:
“O crescimento contínuo do ambiente de contratação livre, impulsionado pela maior liberdade de escolha para consumidores de alta tensão, sinaliza que a migração não é apenas uma tendência pontual, mas uma transformação consolidada que deve envolver milhares de novas unidades consumidoras ao longo de 2026.”
Com a expectativa de que mais 11 mil consumidores ingressem no mercado livre ao longo deste ano, o sistema elétrico nacional caminha para um modelo de consumo cada vez mais descentralizado e competitivo. Enquanto o mercado regulado segue estável, a expansão do ACL e a adaptação do setor industrial devem ditar o ritmo da demanda pelos próximos meses, sempre sob a influência das condições macroeconômicas e climáticas do país.




















