A CEO da Elera Renováveis alerta para a necessidade urgente de resolver o curtailment e modernizar o sistema elétrico brasileiro para sustentar o crescimento das energias limpas.
A indústria de energia renovável no Brasil enfrenta um gargalo crítico que ameaça sua expansão e sustentabilidade: o chamado “curtailment”. Essa prática, que resulta na redução forçada da geração eólica e solar, tem atingido níveis alarmantes, segundo Karin Luchesi, CEO da Elera Renováveis. A executiva ressaltou a urgência de modernizar a rede elétrica, incorporar tecnologias de armazenamento e revisar as regras regulatórias para garantir que o país possa, de fato, aproveitar seu potencial em energia limpa.
A preocupação da Elera Renováveis é que os cortes recentes, que chegaram a 25% da geração eólica e 30% da solar nos últimos três meses, comprometem a viabilidade financeira dos empreendimentos. Essa situação impede não apenas novos investimentos, mas também a manutenção das operações existentes, gerando um ciclo de estagnação que já dura cerca de três anos.
O Impacto do Curtailment na Indústria Renovável
A executiva da Elera Renováveis destacou durante o evento Brazil WindPower, em São Paulo, que a situação atual é insustentável. A necessidade de resolver o problema do curtailment é vista como crucial para o futuro do setor, especialmente em um cenário global de crescente demanda por energia limpa e a chegada de novas indústrias, como data centers, que demandam grande quantidade de eletricidade.
Discussões Regulatórias e Soluções em Andamento
Para enfrentar este desafio, o setor tem mantido um diálogo ativo com diversas instâncias governamentais, incluindo o Ministério de Minas e Energia (MME), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e o Congresso Nacional. Entre as iniciativas em pauta, está a revisão da Resolução Normativa nº 1.030 da Aneel, que visa regulamentar o ressarcimento de parte dos cortes de geração, conforme previsto na Lei 15.269/2025.
No entanto, Karin Luchesi aponta que as medidas em discussão, como o termo de compromisso que trata de cortes passados, são um primeiro passo, mas não resolvem o problema estrutural a longo prazo. É fundamental que a discussão regulatória avance para abranger os cortes atuais e futuros, com a identificação precisa da natureza desses cortes e o desenvolvimento de soluções técnicas eficazes para sua redução.
Karin Luchesi, CEO da Elera Renováveis, afirmou:
A indústria está parada já há três anos. É muito difícil crescer, mas é mais difícil, inclusive, sustentar os negócios atuais se a gente não endereçar o tema.
Armazenamento e Flexibilidade: Chaves para o Futuro
A CEO da Elera Renováveis também enfatizou a importância de sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS). A realização do Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCap) de 2026 para BESS é vista como um passo relevante para aumentar a flexibilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN). Embora o armazenamento não seja a única solução, ele é considerado essencial para mitigar os efeitos do curtailment e integrar de forma mais robusta as fontes renováveis intermitentes.
Além disso, a executiva ressaltou a necessidade de mecanismos de resposta da demanda, com sinais de preço adequados para incentivar os consumidores a ajustarem seus padrões de consumo.
A inteligência artificial e a expansão de data centers representam uma oportunidade para o Brasil atrair investimentos, mas o setor elétrico precisa estar preparado para essa crescente demanda, garantindo a infraestrutura e a flexibilidade necessárias. A intermitência das fontes renováveis, embora um desafio, exige planejamento e soluções que transformem essa característica em uma vantagem competitiva.














