CCEE e ONS iniciam testes do Cobre para substituir Newave e Decomp

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A CCEE e o ONS estão testando um novo modelo computacional, o Cobre, que visa substituir o Newave e o Decomp, com potencial entrada em operação em 2028.

A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) deram um passo significativo em direção à modernização da gestão do setor elétrico brasileiro. Em testes desde o âmbito do Comitê Técnico PMO/PLD, um novo modelo computacional, derivado do projeto Cobre, está sendo desenvolvido no ONS com o objetivo de assumir as funcionalidades dos sistemas Newave e Decomp. A ambição é que a nova ferramenta esteja operacional a partir de janeiro de 2028, desde que os testes sejam bem-sucedidos e as aprovações regulatórias sejam concluídas até meados de 2027.

Essa iniciativa representa uma evolução na forma como o planejamento da operação energética e a definição da política operativa do Sistema Interligado Nacional (SIN) são realizados. Atualmente, o Newave e o Decomp são os pilares dessas decisões, cujos resultados alimentam o Dessem, responsável pelo despacho de curtíssimo prazo e pelo cálculo do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD). A primeira fase do projeto Cobre foca em replicar essas funções essenciais, mantendo a integração com o Dessem. Futuras etapas preveem a incorporação de capacidades mais avançadas, como a representação detalhada de fontes renováveis, sistemas de armazenamento de energia e o planejamento da expansão do sistema.

O Nascimento do Cobre e a Busca por Autonomia Tecnológica

O projeto Cobre teve suas raízes no ONS, impulsionado pela visão de engenheiros que exploravam o uso de inteligência artificial para criar alternativas mais eficientes aos modelos existentes. Essa iniciativa se alinha com o esforço do ONS em aumentar sua autonomia no desenvolvimento e manutenção de suas próprias ferramentas computacionais. O desenvolvimento interno avançou rapidamente, a ponto de suspender um processo de contratação externa que estava em andamento.

A colaboração com a CCEE se intensificou, culminando na disponibilização do código-fonte do Cobre aos agentes do setor, promovendo transparência e permitindo a participação ativa no acompanhamento e teste do desenvolvimento. O novo modelo, que opera sob licença de código aberto, tem recebido contribuições através de consultas externas, refletindo um esforço conjunto para construir uma ferramenta robusta e adaptada às necessidades do setor.

Características Inovadoras e Metodologias Avançadas

O Cobre se destaca por incorporar metodologias já consolidadas no planejamento energético brasileiro, como a previsão de vazões, a geração de cenários e a Programação Dinâmica Dual Estocástica (PDDE). Uma de suas principais inovações é a capacidade de representar reservatórios hidrelétricos individualmente ao longo de todo o horizonte de planejamento e a flexibilidade para operar com diferentes granularidades temporais, de mensal a diária.

Outro ponto crucial é a proposta de um horizonte de planejamento rolante de três anos, seguido por três anos de pós-estudo. Essa configuração difere do modelo Newave atual, que utiliza um horizonte de cinco anos com representação híbrida do parque hidrelétrico. A individualização dos reservatórios e a redução do horizonte são aspectos em avaliação e não alterações metodológicas já aprovadas, mas demonstram a busca por maior precisão e agilidade nas simulações.

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A ferramenta também visa otimizar o cálculo da política operativa, permitindo simulações com diferentes resoluções temporais e o aproveitamento de políticas calculadas em estudos anteriores. Um conversor de dados foi desenvolvido para facilitar a migração e a comparação de resultados entre os modelos vigentes e o novo software.

Testes Rigorosos e Caminho para a Oficialização

O processo de teste e validação do novo modelo é rigoroso e abrangente. A Comissão Deliberativa do CT PMO/PLD autorizou o início dos trabalhos, que incluem verificações de funcionamento, reprodutibilidade de cálculos, desempenho computacional e compatibilidade com os resultados dos modelos atuais. Variáveis críticas como o Custo Marginal de Operação (CMO), a energia armazenada, a geração hidrelétrica e termelétrica, e os custos de operação estão sob escrutínio.

Além das avaliações internas, o ONS contratou uma análise técnica independente para garantir a integridade, arquitetura e manutenibilidade do software. O cronograma de implementação prevê duas etapas de execução-sombra, nas quais o modelo será avaliado em cenários futuros sem substituir os resultados oficiais. A fase síncrona, prevista para 2027, ocorrerá em paralelo aos processos oficiais.

A calibração do modelo e a definição dos parâmetros de aversão ao risco, que serão informados pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), são etapas cruciais. Após deliberações e consultas públicas, a aprovação pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) é esperada até julho de 2027. Caso todas essas etapas sejam concluídas satisfatoriamente, a entrada em operação oficial em 1º de janeiro de 2028 se concretizará. No entanto, o cronograma é flexível, e a possibilidade de adiamento ou até mesmo a abertura de um novo edital para avaliação de outras ferramentas existe caso o modelo Cobre não atenda aos requisitos estabelecidos.

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