BNDES projeta R$ 34 bilhões para baterias e busca cofinanciamento para atender à “demanda explosiva” por armazenamento de energia.
A crescente demanda por sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS) no Brasil, impulsionada pelo primeiro leilão de reserva de capacidade, está exigindo uma reavaliação estratégica das fontes de financiamento. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estima que os projetos decorrentes desse certame poderão requerer até R$ 34 bilhões em suas linhas de crédito incentivadas. No entanto, o volume expressivo e os limites orçamentários existentes apontam para a necessidade de buscar parcerias com o mercado e outras instituições, garantindo a viabilidade desses investimentos cruciais para a transição energética.
Essa projeção do BNDES, ainda dependente da aprovação da Lei Orçamentária de 2027, sublinha a urgência em diversificar as fontes de capital. A intenção é não apenas cobrir o volume de financiamento, mas também otimizar a alocação de recursos escassos, posicionando o Brasil na vanguarda da infraestrutura de energias renováveis.
Estratégia de Crédito e Fundo Clima
De acordo com Alexandre Siciliano Esposito, chefe de departamento de transição energética e clima do BNDES, o Fundo Clima se consolidará como a principal via de recursos incentivados para esses empreendimentos, operando em sinergia com o programa BNDES Mais Inovação. O Fundo Clima, com seus diversos subprogramas, prioriza projetos que impulsionam a transição energética, e o armazenamento por baterias se destaca por sua relevância sistêmica e potencial para acelerar a descarbonização da matriz elétrica.
O BNDES adota uma estratégia de “credit finance”, reconhecendo as restrições orçamentárias dos recursos incentivados. Essa abordagem visa complementar o financiamento com outras fontes, como mercado de capitais e instituições multilaterais, para atender à escala dos investimentos necessários.
A demanda por tecnologia de bateria tem potencial de ser explosiva, exigindo soluções de financiamento robustas e inovadoras para apoiar o avanço do setor de energia limpa.
Detalhes do Financiamento e Próximos Passos
O Fundo Clima pode cobrir até 100% dos itens financiáveis de um projeto, limitado a 80% do investimento total (capex), e estabelece um teto de R$ 1 bilhão de financiamento por grupo econômico a cada 12 meses. Para o BESS, os sistemas de armazenamento são considerados equipamentos financiáveis, desde que cumpram critérios de nacionalização e fornecimento local, incentivando a cadeia produtiva interna. Já o programa BNDES Mais Inovação permite uma composição de aproximadamente 50% de recursos incentivados e 50% de recursos a valor de mercado, flexibilizando a estruturação de cada projeto.
Esses limites, como ressaltado por Alexandre Esposito, são cruciais ao considerar o perfil dos investidores do leilão, muitos dos quais gerenciam portfólios que somam bilhões de reais. Para preencher essa lacuna, o BNDES está avaliando o apoio à estruturação de operações com debêntures, além de buscar colaboração com o mercado e instituições multilaterais. O banco aguarda a definição orçamentária do próximo ano para consolidar o montante disponível, enxergando o leilão como um catalisador para a estruturação de projetos em “project finance”, com contratos de longo prazo, essenciais para a segurança dos investimentos em energia limpa.
A iniciativa do BNDES em buscar múltiplas fontes de financiamento para o BESS demonstra a maturidade do Brasil em sua jornada de transição energética. Ao antecipar a “demanda explosiva” por armazenamento de energia, o banco não apenas garante a viabilidade dos projetos licitados, mas também pavimenta o caminho para um ecossistema de energia renovável mais robusto e resiliente, essencial para a sustentabilidade do sistema elétrico nacional.















