O fenômeno climático tem influenciado diretamente o mercado de energia elétrica, reduzindo custos de curto prazo enquanto a companhia projeta estabilidade e alta na demanda.
A Axia Energia, anteriormente conhecida como Eletrobras, identificou que os impactos do El Niño já alteram significativamente a precificação no setor elétrico nacional. Segundo Rodrigo Limp, vice-presidente de Regulação, Institucional e Mercado, o volume de chuvas registrado na região Sul durante o mês de julho foi o mais elevado da última década, resultando em uma maior disponibilidade de Energia Natural Afluente (ENA).
Esse incremento hídrico gerou uma descompressão nos valores de energia no curto prazo. Contudo, a expectativa da empresa é de que o cenário de preços se recupere e inicie uma trajetória de alta a partir de outubro. A previsão da companhia aponta que o fenômeno deverá manter força, estendendo seus efeitos pelo menos até o início de 2027.
Impactos regionais e estratégias de mercado
Caso o padrão climático se consolide com força nas regiões Norte e Nordeste, a Axia antecipa um período de maior instabilidade nas cotações dos submercados. Diante disso, a gigante do setor elétrico estuda intensificar suas operações de venda nessas áreas, aproveitando a maior oferta de recursos disponíveis.
Em teleconferência realizada nesta quinta-feira (6) para comentar os resultados do segundo trimestre de 2026, a diretoria ressaltou que, embora o terceiro trimestre seja tradicionalmente desafiador devido ao menor GSF (Generation Scaling Factor), a projeção de crescimento na carga de consumo deve garantir um desempenho superior ao registrado em 2025.
Crescimento e foco na indústria
A estratégia comercial da companhia tem se concentrado na alocação inteligente de energia, tirando proveito da menor disparidade de preços entre os submercados brasileiros. A Axia tem priorizado o atendimento direto a grandes consumidores finais, com destaque para o setor industrial.
“Trouxe, naturalmente, uma pressão para baixo nos preços de curto prazo, especialmente julho, agosto até setembro, com uma recuperação prevista a partir de outubro”, pontuou Rodrigo Limp durante o encontro com investidores.
O otimismo da gestão reflete-se nos números financeiros. No segundo trimestre de 2026, a empresa alcançou um lucro líquido de R$ 1,2 bilhão, uma recuperação expressiva em relação ao prejuízo de igual período no ano passado. O Ebitda também apresentou desempenho robusto, somando R$ 5,9 bilhões — um salto de 3,7 vezes em comparação ao 2T25.























