A energia tornou-se um pilar estratégico para as empresas, superando o status de despesa operacional e exigindo decisões sofisticadas diante da abertura do mercado e da expansão renovável.
A gestão de energia deixou de ser uma tarefa burocrática de fim de mês para se transformar em um fator decisivo de competitividade e planejamento financeiro nas organizações. Em um cenário marcado pela abertura do Mercado Livre de Energia e pela crescente complexidade da matriz elétrica brasileira, o custo e a segurança do suprimento agora impactam diretamente o fluxo de caixa e a capacidade de expansão das empresas.
Embora o levantamento da Grant Thornton indique um leve alívio na percepção das empresas sobre os custos de energia como entrave ao crescimento — caindo de 55% para 52% em 2025 —, o dado reflete, na verdade, uma mudança de postura. As companhias estão adotando estratégias mais maduras, utilizando desde mecanismos de proteção financeira contra oscilações de preços até a diversificação de fontes e fornecedores.
A Nova Era da Gestão Energética
A transição energética, impulsionada pelo avanço das fontes solar e eólica, trouxe benefícios, mas também desafios de flexibilidade para o sistema nacional. Com uma matriz majoritariamente limpa, o Brasil enfrenta, por outro lado, a volatilidade da oferta, o que exige que as empresas deixem de buscar apenas o menor preço nominal e passem a priorizar a previsibilidade e a gestão de riscos.
Élica Martins, sócia de Auditoria e líder de Energia e Recursos Naturais da Grant Thornton, afirmou:
Energia não pode mais ser tratada apenas como uma conta a ser administrada no fim do mês. Em muitos setores, ela tem impacto direto sobre margens, capacidade de investimento e competitividade. Isso exige uma visão mais estratégica, que combine contratação, eficiência, diversificação e gestão de riscos.
Estratégias Além da Conta
A abertura do mercado amplia a liberdade de escolha, mas transfere maior responsabilidade para o gestor. Hoje, a análise técnica de um contrato de energia envolve variáveis complexas como o perfil de consumo horário, as condições contratuais, a estabilidade do fornecedor e a exposição a encargos sistêmicos. Ferramentas como PPAs (Power Purchase Agreements), geração distribuída e sistemas de armazenamento começam a integrar o portfólio das companhias que buscam resiliência operacional.
Élica Martins complementa:
A abertura do mercado cria espaço para buscar contratos mais adequados ao perfil de consumo e à estratégia de cada empresa. Mas a maior liberdade também exige mais capacidade de análise. A gestão de energia não deve se resumir à busca pelo menor preço.
Projeções e Futuro
O futuro da gestão energética nas empresas aponta para uma convergência entre áreas. O tema será cada vez mais integrado aos departamentos financeiros, de operações e de sustentabilidade, deixando de ser uma responsabilidade isolada. A capacidade de realizar testes de estresse, antecipar cenários de preços e adaptar-se à intermitência das fontes renováveis será o diferencial competitivo nos próximos anos.
O desafio para as empresas, portanto, é deixar de buscar soluções padronizadas. Em um mercado dinâmico e em processo de descarbonização, a resiliência virá da combinação inteligente entre eficiência, fontes diversificadas e contratos que ofereçam a flexibilidade necessária para sustentar a operação em qualquer cenário de mercado.
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