Aurora aponta necessidade de novos modelos de contratos para viabilizar expansão renovável

Aurora aponta necessidade de novos modelos de contratos para viabilizar expansão renovável
Aurora aponta necessidade de novos modelos de contratos para viabilizar expansão renovável - Foto: Reprodução / Freepik | Pixbay
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O avanço da matriz limpa no país demanda uma reestruturação profunda nos contratos de energia, visando maior alinhamento entre o perfil de consumo e a entrega, segundo especialistas.

A transição energética brasileira caminha para um novo patamar de complexidade. Com a meta de adicionar aproximadamente 120 GW à rede nacional até 2040, o mercado de energia renovável enfrenta um desafio estrutural: os modelos atuais de comercialização já não refletem as necessidades de um sistema cada vez mais volátil. A análise é da Aurora Energy Research, que projeta um volume de investimentos na ordem de R$ 358 bilhões para o período.

Durante o evento InterSolar South America, o diretor-executivo da Aurora, Rodrigo Borges, alertou que a sustentabilidade financeira dos novos projetos depende diretamente de uma revisão no formato dos PPAs (Power Purchase Agreements). O executivo defende que os contratos baseados no modelo de carga constante (baseload) estão sobrecarregando os investidores, dado que o consumo real dos clientes finais é dinâmico e varia ao longo das horas.

A evolução necessária dos contratos de energia

Para evitar a repetição dos prejuízos e o estresse financeiro que acometeram ativos recentes, a consultoria sugere uma migração para contratos que mimetizem o comportamento real da demanda. Ao alinhar a entrega da energia ao perfil de consumo, os geradores conseguem reduzir a exposição ao risco de descasamento entre a oferta e a carga, tornando seus projetos mais robustos e competitivos perante os agentes do mercado.

Borges afirmou:

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“Dentro dos 12 GW que precisamos contratar até 2030, se tivermos 5 GW de baterias e 7 GW de térmicas, o nível de curtailment será de cerca de 8%. Se invertermos essa proporção e tivermos uma participação maior de baterias, chegando mais próximo dos 12 GW, teremos um nível de curtailment menor, próximo de 4%. Isso significa menos volatilidade intradiária da energia, menos encargos e, consequentemente, um cenário muito mais benéfico para o sistema”

Perspectivas para o Curtailment e Armazenamento

Um dos entraves para o setor, o curtailment — o desperdício de energia renovável por restrições na rede — deve manter níveis de estresse até 2028. Contudo, a partir de 2029, a combinação de uma demanda crescente, melhorias na infraestrutura de transmissão e a introdução de sistemas de armazenamento via baterias deve criar um cenário de maior equilíbrio para o sistema elétrico nacional.

O uso de BESS (Battery Energy Storage Systems) aparece como a peça-chave para essa virada. A expectativa é de que, quanto maior a adoção de baterias em detrimento de térmicas de backup convencionais, menor será a volatilidade dos preços horários. Além de otimizar a rede, a tecnologia promete oferecer um novo fôlego aos parques eólicos e solares já em operação, permitindo que estes mitiguem perdas e melhorem sua saúde financeira.

A projeção de longo prazo indica uma estabilização das perdas por restrição energética entre 8% e 9%. No entanto, a fonte solar tende a sofrer mais que a eólica, devido à concentração de sua geração nas horas de maior disponibilidade de sol, o que reforça a urgência de investimentos em flexibilidade e na modernização das regras contratuais para o próximo ciclo de crescimento da matriz.

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