A usina nuclear de Angra 1 iniciou uma parada programada de 90 dias, focada em manutenção, inspeções e a extensão de sua vida útil, marcando um período intenso para a geração de energia.
A usina nuclear Angra 1, peça fundamental na matriz energética brasileira, deu início a um período crucial de manutenção.
À meia-noite do último sábado, 19 de setembro, a unidade entrou em uma parada programada com duração estimada em três meses.
Este período será dedicado a uma série de intervenções essenciais, desde manutenção rotineira e inspeções detalhadas até modificações de projeto e avanços no programa de extensão de vida útil da usina, conhecido como Long Term Operation (LTO).
A iniciativa reflete o compromisso com a segurança e a eficiência energética a longo prazo.
A preparação para este complexo processo começou meses antes, envolvendo uma logística intrincada que abrangeu o recebimento de novo combustível nuclear, uma vasta gama de equipamentos e materiais, além da montagem de estruturas temporárias.
A mobilização de centenas de profissionais especializados sublinha a complexidade e a importância da operação, que demanda um planejamento minucioso para garantir a coordenação entre as diversas tarefas e a disponibilidade de recursos em cada etapa.
Substituição de Combustível e Inspeções Críticas
Um dos procedimentos mais importantes durante a parada é a substituição dos 44 elementos combustíveis do reator.
O novo combustível, já armazenado na Piscina de Combustível Novo (PCN), será carregado para o próximo ciclo de operação, enquanto os elementos utilizados serão realocados para a Piscina de Combustível Usado (PCU).
Esta etapa é vital para a continuidade da geração de energia e para a segurança operacional da usina.
A retirada do combustível permite, ainda, o acesso ao interior do reator para inspeções e intervenções cruciais.
Entre elas, destaca-se a avaliação das estruturas internas inferiores do vaso por meio de exames visuais e ultrassom automatizado.
A programação inclui também a modificação Upflow Conversion, que altera o fluxo do refrigerante em uma seção dos componentes internos do vaso, otimizando o desempenho do reator.
Manutenção Extensa e Modernização
A Eletronuclear, responsável pela operação de Angra 1, informou que a parada englobará a Inspeção em Serviço (ISI) de dez anos.
Este procedimento avalia periodicamente componentes como soldas do vaso do reator, tubulações do circuito primário e estruturas internas.
Além disso, o Teste Integral da Contenção (ILRT) será realizado para verificar a vedação da estrutura de contenção do reator, assegurando sua integridade em situações extremas.
A Eletronuclear afirmou:
A parada programada é uma ação essencial para garantir que a usina continue operando com segurança e eficiência, incorporando tecnologias e procedimentos que estendem sua vida útil e reforçam nossa capacidade de geração de energia limpa.
A manutenção abrange diversos equipamentos e sistemas, como a revisão do gerador elétrico principal, a manutenção dos transformadores de 500 kV e 138 kV, e a inspeção e substituição de selos de bombas de refrigeração do reator.
Válvulas motorizadas e pneumáticas também serão revisadas, garantindo o pleno funcionamento de todo o complexo.
Investimento em Segurança e Inovação
Doze modificações de projeto estão previstas, sendo oito delas em sistemas classificados como de segurança.
Essas intervenções incluem a substituição dos motores do sistema de recirculação da contenção, a troca de atuadores de válvulas motorizadas e a implementação do sistema de ventilação filtrada da contenção.
Componentes relacionados ao Programa de Qualificação Ambiental de Componentes Elétricos e de Instrumentação (PQAEE) também serão substituídos, reforçando a conformidade com rigorosos padrões ambientais e de segurança.
A parada programada de Angra 1 é um investimento estratégico na infraestrutura de energia nuclear do Brasil.
Ao final dos 90 dias, a expectativa é que a usina retorne à operação com sua capacidade otimizada, garantindo a segurança e a confiabilidade na geração de energia limpa.
Este ciclo de manutenção e modernização é fundamental para a extensão da vida útil da usina e para a contribuição contínua da energia nuclear na matriz energética nacional, alinhando-se aos objetivos de um futuro mais sustentável e resiliente.
















